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Substrato do Bonsai – O Artigo Definitivo

Matéria publicada no site www.artebonsai.com.br

Eduardo Campolina

Um assunto recorrente e sempre cercado de divergências e mistérios, o substrato ideal representa o mais importante elemento de todas as variáveis relacionadas ao cultivo do bonsai. Em qualquer local onde se agrupem duas pessoas para conversar sobre bonsai de forma geral ou comentar sobre um indivíduo em especial, impreterivelmente o assunto virá à tona: “Que solo está usando?”.
Matéria cercada de mistérios e mistificações, volta e meia vemos reclamações e cobranças sobre um consenso, uma posição definitiva, um ponto final no que se refere ao substrato ideal para o cultivo do bonsai.
Por todo o mundo foram e são publicados verdadeiros tratados com as mais diversas abordagens sobre o tema e nenhum deles teve, e muito menos este artigo terá a pretensão de ser a publicação definitiva, que revelará o utópico substrato ideal que poderá ser utilizado com sucesso no cultivo do bonsai em qualquer lugar do mundo.

O assunto será objeto de diversos artigos futuros que discorrerão de forma objetiva e desmistificada sobre as principais características desejadas em um substrato adequado ao cultivo do bonsai, baseado em informações obtidas de diversas publicações, algumas de caráter cientifico, outras especializadas, como também na troca de experiências adquiridas em alguns anos de erros e acertos na busca não de um substrato ideal, mas de elementos para a formação de substratos adequados, com ótimas respostas nas diversas fases do cultivo e de fácil obtenção.

Um dos primeiros pontos a ser observado num artigo como este é que num país com as dimensões do nosso, seria no mínimo ingenuidade considerar qualquer relação de solos e substratos baseado unicamente nas características individuais das espécies vegetais. Qualquer formulação baseada neste conceito se tornará um problema bastando apenas uma relativa diferença de altitude ou ocorrência de variações microclimáticas entre regiões surpreendentemente próximas. Maior será a incoerência se considerarmos as diferenças climáticas existentes entre cada uma das regiões do país.

Todo entusiasta que pretenda ingressar no cultivo do bonsai, independente do número de exemplares escolhidos, deve buscar desde o princípio de sua instrução adquirir conhecimentos que o habilitem a produzir de forma satisfatória o substrato adequado à sua condição climática e principalmente à sua disponibilidade no cuidado diário de suas plantas.

Logicamente não é o mais indicado ao principiante, sob pena de cometer erros fatais pela falta de experiência, produzir seu primeiro substrato sem nenhuma orientação ou conhecimento prático prévio. Mas apoiado principalmente na experiência de bonsaístas mais experientes da mesma região, deverá o quanto antes procurar compreender pelo menos o comportamento físico dos elementos constituintes dos substratos disponíveis.

Os solos de origem japonesa são tidos como os solos ideais para o cultivo do bonsai em todo o mundo pois são tradicionalmente utilizados naquele país para este fim. No entanto são apenas os solos de melhores características disponíveis no Japão e de forma alguma devem ser considerados os melhores solos para o cultivo do bonsai em qualquer outro lugar do mundo em que sejam utilizados. Mesmo no Japão alguns cultivadores não os utilizam, preferindo utilizar exclusivamente areia granulada como substrato. Com isso pretendemos demonstrar que o substrato adequado pode e deverá ser extremamente variável, sendo composto de elementos únicos ou diversos que cumprirão as funções adequadas para a sua região e forma de cultivo, pela combinação das características físicas e químicas necessárias.

As funções

O substrato precisa cumprir diversas funções no vaso de bonsai. Fornecer sustentação às raízes, proporcionar a retenção de água e nutrientes, promover aeração e drenagem adequadas e, dependendo do objetivo, acelerar ou retardar o crescimento das raízes. Algumas destas funções que são aparentemente contraditórias como a retenção de água e aeração, poderão ser cumpridas pela associação de diversas propriedades físicas num mesmo elemento.

Assim, um elemento que possui boa capacidade de retenção de água em sua estrutura fornecerá a adequada retenção de água e nutrientes para a utilização pelas raízes ao longo do dia. Se este mesmo elemento for utilizado em uma granulometria específica, o espaço formado entre os grãos eliminará a água rapidamente, sendo preenchido por ar, fornecendo oxigênio para estas mesmas raízes.

As características

Dentre todas as características físicas e químicas necessárias a um bom substrato, as características físicas são as que teremos maior dificuldade em alterar rapidamente, sem a necessidade de grandes intervenções. Na verdade isto só será possível pela troca parcial ou total do substrato. Assim cuidaremos primeiro das propriedades físicas.

A primeira característica a ser observada num componente do substrato para bonsai é a dureza ou resistência à degradação física. O substrato do bonsai é mantido no vaso por um período relativamente longo, freqüentemente por no mínimo um ano.

Pela ação principalmente da rega, as partículas do solo são gradativamente fragmentadas, reduzindo assim sua granulometria inicial. A redução da granulometria reduz o espaço formado entre as partículas aumentando a retenção de água, e como conseqüência diminuindo o oxigênio disponível para as raízes. Utilizando um substrato resistente à degradação, minimizamos ou eliminamos a ocorrência deste problema no decorrer dos anos e aumentamos o tempo de permanência do substrato sem a necessidade de transplante.

O elemento de maior resistência mais utilizado em nossos compostos é a areia granulada. Virtualmente indestrutível pela ação normal dos elementos atuantes em nossos vasos, pode ser utilizada pura, fornecendo até mesmo uma retenção ideal de água, de acordo com a granulometria utilizada. Na outra ponta o solo comum deve ser utilizado com cautela pois dependendo de sua constituição, fragmentam-se rapidamente, compactando o solo. Esta compactação, além de reduzir a aeração e conseqüentemente o oxigênio disponível, impede a adequada penetração de água no solo, provocando a morte das raízes e conseqüente perda de galhos.

Um outro elemento perigoso especialmente ao iniciante e que é indiscriminadamente disseminado pelo Brasil é a utilização da terra de cupim. A sua resistência é extremamente variável, e apesar de funcional em alguns casos, depende da composição do solo em que foi construído, idade do cupinzeiro e do tratamento dado antes da utilização.

Aqui ainda devemos chamar a atenção para um outro elemento bastante utilizado e que pode ser extremamente danoso no vaso de bonsai. À primeira vista a argila expandida, natural ou fragmentada, pode parecer o elemento ideal. A experiência demonstra e foi comprovado cientificamente que a argila expandida é prejudicial ao desenvolvimento das raízes, fato que será explicado com detalhes posteriormente.

O composto formado pela fragmentação de tijolos e telhas cerâmicas, comumente chamada caqueira ou tijolito, vem sendo considerado um dos melhores elementos para utilização como substrato de bonsai. No composto praticamente não sofre degradação, mantendo sua granulometria estável por muitos anos.

A cacidade de retenção de líquidos é outra característica buscada nos nossos compostos.

Apesar da possibilidade desta propriedade ser contornada pela adequação da granulometria das partículas mesmo em compostos sem nenhuma capacidade de armazenamento de líquidos, como no caso da areia e pedriscos, em alguns casos é desejado um composto de partículas maiores favorecendo o desenvolvimento das raízes e acelerando o desenvolvimento do bonsai. Neste caso um composto formado por pedriscos grossos tenderia a secar rapidamente, podendo representar um problema adicional. Idealmente a partícula deveria possuir de forma equilibrada a afinidade por líquidos, absorvendo e saturando-se rapidamente quando o meio estiver com líquidos disponíveis, e liberando com facilidade para o interstício (espaços entre as partículas) a medida que o mesmo perde umidade. Os compostos orgânicos como a compostagem, esterco e turfa possuem a maior capacidade de absorção e retenção de líquidos mas falham na habilidade em liberar o mesmo, retendo a umidade por longos períodos. A terra argilosa possui de forma razoavelmente equilibrada as duas propriedades de armazenamento e liberação de líquidos mas a medida que vai se degradando, tende a reter mais líquido pela redução do espaço intersticial, favorecendo o efeito de capilaridade.

Além disso as finas partículas formadas pela degradação agregam-se novamente em partículas maiores e compactas que dificultam a penetração da água. Mais uma vez a caqueira cerâmica apresenta a maior facilidade tanto na retenção quanto na liberação de líquidos de acordo com a variação da umidade do meio.

Outra característica física importante mas relacionada ao composto como um todo e não apenas aos elementos individuais utilizados em sua composição é a granulometria das partículas. Em termos gerais são utilizadas partículas de granulometria entre 1 e 5 mm de diâmetro. Esta grande variação apresenta objetivos diversos tanto na retenção de líquidos do composto quanto na taxa de crescimento das raízes. Um composto de grãos mais finos entre 1 e 2 mm, apresenta menores espaços intersticiais, favorecendo a retenção de líquidos no interstício pelo maior efeito capilar entre as partículas e vice versa. Em relação ao crescimento das raízes, um substrato composto por partículas mais grossas possui conseqüentemente maior espaço entre as partículas para um crescimento mais livre

das raízes, resultando num desenvolvimento mais rápido da árvore como um todo. Assim partículas grossas são utilizadas em árvores jovens ou nas que necessitamos de um desenvolvimento mais acelerado. De forma oposta um substrato de partículas finas fornece uma barreira mecânica ao desenvolvimento das raízes, retardando o seu crescimento.

Estratificação do Substrato.

Estratificação do substrato consiste na formação de camadas de diferentes granulometrias de substrato no vaso de bonsai. Esta estratificação segue um padrão em que o substrato mais grosso fique no fundo do vaso, o intermediário no meio e o fino próximo à superfície. Nunca é demais lembrar que partículas menores que 1mm (pó) não são utilizadas. Este padrão é utilizado por muitos anos nos mais antigos bonsai do mundo, com ótimos resultados. Recentemente este padrão vem sido questionado. Uma das alegações que justificariam este questionamento seria de que o substrato grosso do fundo do vaso secaria rapidamente, provocando a desidratação das raízes nesta região. Outra alegação seria de que o efeito capilar formado pela estratificação teria efeito contrário ao favorecimento da drenagem desejada no vaso do bonsai, mantendo o substrato mais úmido que o desejado. Utilizando duas propriedades presentes no substrato estratificado, apontam causas diferentes e contraditórias para justificar a sua não utilização.Vamos então analisar estas propriedades levando em consideração algumas peculiaridades do cultivo do bonsai.

O vaso do bonsai tem um formato característico que interfere fortemente no comportamento dos líquidos no substrato que contém. A altura do vaso em relação às suas demais dimensões reduz a influenciada da gravidade no favorecimento da drenagem, especialmente quando optamos por um substrato de granulometria menor, proporcionando uma maior homogeneidade na distribuição vertical dos líquidos. Em contrapartida, a maior área de exposição na superfície do vaso, faz com que a região superficial perca líquidos de forma acelerada, secando primeiro que as camadas inferiores.

Podemos concluir desta forma que ao utilizarmos um substrato homogênio de granulometria média em um vaso de bonsai, as camadas superficiais do substrato, após o escoamento do excesso de água após a rega, secarão mais rapidamente sob o efeito da evaporação. As partes mais profundas menos expostas ao ar exterior e sem os efeitos da exposição solar ficarão úmidas por um período maior.

Como nos baseamos no aspecto visual do substrato na superfície para determinar o importante momento da rega, as camadas profundas serão mantidas constantemente encharcadas num substrato como este.

A granulometria utilizada para favorecer a drenagem e consequente aeração do substrato, não permite a formação de um efeito capilar eficiente a ponto de contrapor a ação gravitacional e criar um fluxo de líquidos das camadas mais profundas em direção às camadas mais superficiais, fluxo esse que poderia manter a homogeneidade da umidade nas diferentes camadas.

A estratificação objetiva aumentar a perda de líquidos nas camadas mais profundas, onde sua retenção está privilegiada, e reduzir a desidratação das camadas superficiais, contrapondo os efeitos da desidratação. Só ocorrerá desidratação das raízes nas camadas profundas quando ocorrer a compactação das camadas superficiais que impediriam a correta penetração dos líquidos no solo durante a rega, ou pela rega realizada de forma inadequada. Este último assunto será abordado posteriormente de forma mais profunda.

Existem também os aspectos relacionados ao formato das partículas. Teoricamente, partículas de formato irregular teriam um melhor efeito na obtenção de ramificação mais fina e sinuosa, pois forçariam por obstrução física uma mudança mais acentuada na direção de crescimento das raízes e até mesmo sua ramificação que refletiriam no desenvolvimento dos galhos.

Entendendo Mr. Walter Pall

Bem, este é uma postagem especial pois existe muito a ser explicado mas pouco a ser dito, apenas entende-se sobre W. Pall e Naturalistic style vendo-o trabalhar e comentar sobre o que está pensando no momento em que está mexendo numa planta, qual sua intenção e o porque dos defeitos propositalmente deixados, das regras descumpridas, da beleza do feio e da perfeição do imperfeito, da naturalidade artificial, Wabi/Sabi, acho que estes temas englobam grande parte da essência do que assisti no final de semana onde estive no workshop realizado pela Nipon Bonsai em Joinville.

Walter Pall e o buxus que ele diz ser o mais bonito que já viu.

Walter Pall e o buxus que ele diz ser o mais bonito que já viu.

 

A base desta planta tinha uma caverna, excepcionalmente linda!

A base desta planta tinha uma caverna, excepcionalmente linda!

Todo o evento traduzido pelo Valdir Hobus, grandiosa ajuda!

Como ninguém é de ferro, tive a honra de posar para fotos com o mestre.Grande orgulho em tê-lo recebido em nosso país e poder aprender algo com este grande professor.

 E a euforia continuava a cada instante pois estávamos sendo também assistidos por Mestre Hidaka, Mestre Tramujas, que além de grande profissional da área do bonsaísmo considero um grande amigo, além de Charlinhos de Barretos que é também na minha opinião um ícone brasileiro em didática aplicada ao bonsai.

Mestres, amigos, a reunião foi extremamente agradável e proveitosa.

Mestres, amigos, a reunião foi extremamente agradável e proveitosa.

No olhar do mestre, quem sabe o que passa na sua cabeça?
No olhar do mestre, quem sabe o que passa na sua cabeça?

É um árduo caminho tentar reensinar o que era básico antigamente e foi reinventado mais tarde com funções estéticas e funcionais, temos que deixar o preconceito de fora e abrirmos nossa cabeça ao ver o “novo”, e parabenizar e aplaudir Mr. Pall por ser um grande e original mestre, que mesmo sendo mal entendido em muitos lugares e nunca tendo 100% de aprovação de seu público, continua fiel ao que acredita ser o natural, ou chegar perto disso, o tão misterioso e incompreendido “NATURALISTIC”.

Pensamentos sobre bonsai

Texto e fotografias de Walter Pall

        Este artigo foi publicado em dezembro de  2004, em Munique. Ela foi postada em discussão, posteriormente foi publicado na revista “International Bonsai”. No final do mesmo, Bill Valavanis não quis publicar a história do carvalho feio, pois pensou que iria equivocar alguns leitores.

 

Bonsai é a arte do visível, esta é uma afirmação que é comumente usada na teoria da arte e pintura. Esta afirmação aparentemente trivial pode ser aceitável no Ocidente. Na Ásia seria o contrário, o bonsai é a arte do invisível. Um bonsai como obra de arte não é uma coisa banal, mas é aberta como um poema de quatro linhas onde a quarta linha está faltando. Bonsai não é a arte do visível, é a arte de tornar visível, enquanto o processo de ver alguma coisa aconteça com o telespectador que vê algo que não está lá.

Do ponto de vista do design, bonsai é a arte de tornar visível uma coisa que não estava lá anteriormente, que pertence ao desconhecido e não pode ser entendida, não com o nosso intelecto. A inteligência pode ajudar na reflexão sobre o que a história da árvore está a dizer-nos sobre a natureza, mas o intelecto não pode nos ajudar a nos tornar verdadeiramente entendido às emoções que esta história evoca.

É suposto que o espectador se concentre sobre o visível e o que ele sente, e não com a técnica que o artista usou. Não contribui para a compreensão de um bonsai quando se sabe demasiadamente sobre a técnica de projetar e sobre o próprio artista. Os bonsaístas experientes têm tendência a puxar para além de uma árvore, para começar imediatamente a criticá-la. Ele é parcial e não deixa que a abordagem de árvore dele, se transmita. Desenhistas de bonsai muitas vezes são os piores críticos, eles tendem a pensar no que eles teriam feito, como se poderia melhorar a árvore, ao invés de simplesmente deixar as árvores terem um impacto sobre os seus sentimentos. Eles devem tentar aceitar, ao menos por um momento, o bonsai do jeito que está. É por esta razão que julgar árvores de acordo com critérios é problemático. Em vez de deixar o bonsai ter um impacto sobre os sentimentos e da alma com  atribuição de pontos de acordo com um impacto que capta a árvore em pedaços com o intelecto. Na melhor das hipóteses da arte, pode ser julgado como este e na pior das hipóteses, uma árvore será desclassificada exatamente por causa de um forte impacto, quando este foi gerado com o meio incomum. Ela não está sendo julgada como um bonsai, mas a sensação foi criada.

O telespectador tendencioso que não vai além do palpável, não pode alcançar o artístico. Ele quer entender onde não há nada para entender, apenas para observar. Compreender acontece com o lado esquerdo do cérebro, que, no entanto, jamais poderá compreender uma peça de arte, porque este não é um processo intelectual. A inteligência não é necessária. Para o telespectador que se orgulha do seu conhecimento, de seu intelecto, a sensação deve ser mais humilhante, pois não poder tocar em algo que é intocável, incompreensível, algo que ele não pode colocar em contexto com o mundo real e compreensão comum das regras do projeto de um bonsai. Neste caso, o espectador é colocado em uma oposição à inferioridade no qual foi colocado, ele reage com uma arrogância intelectual para além de puxar o bonsai e ele odeia a idéia, porque ele odeia a sua humilhação.

Isto explica porque o bonsai que não usa as regras  e não estejam nos conformes como o bem regrado (em japonês), não são muitas vezes mais elevados do valor artístico do que o padrão-clichê árvores. Isto não significa, evidentemente, que um bonsai que não esteja conforme as normas seja automaticamente uma peça de arte.

Schopenhauer diz que tem uma abordagem como uma pessoa de alto nível (culta em artes) observando uma obra de arte. As energias que o artista colocou em sua peça, revelam-se para o telespectador, que relaxa e se põe completamente de lado À sua vontade. Segundo um estudo atual, um cérebro pode dizer também que o telespectador define “relaxado” seu lado esquerdo do cérebro (sua vontade) para descansar e admira a obra de arte como é com o lado direito, sem crítica imediata em palavras.

Assume-se, neste contexto, que o bonsai em questão é uma peça de arte. Como distinguir a verdadeira arte e um esforço amador e quem faz isso, é um assunto totalmente novo que exige uma longa explicação em outro artigo. Para o observador de um bonsai não é fácil ficar na frente da árvore e tentar entendê-la, a penetrá-la com sua mente. Ele funcionaria muito melhor se ele ficasse na frente dela na bancada, sem condições prévias.

O telespectador que tem uma vantagem ingênua, não tem a desvantagem de reflexão intelectual, seus preconceitos não são profundos, ele tem menores exigências, está mais ocupado com a procura. Tudo o que ele não pode agarrar com o seu intelecto é só deixar assim. O ingênuo telespectador vai notar que o bonsai realmente não se parece natural, não são as cotidianas árvores que vê e vai perguntar por que razão é assim. Bem, eles não são imitações de árvores naturais, mas idealizações de árvores naturais. É também uma questão de gosto, mas pode mudar.

Neste momento, o gosto pelo estilo japonês domina o bonsai mundial, mas isto pode mudar novamente. O iniciante é ingênuo como um alienígena estranho em uma estrela que olha para revistas de moda e coloca a questão de por que as mulheres não se parecem com “a real” das mulheres. A opinião geral do telespectador, o “senso comum saudável”, contudo, um simples e ingênuo sabor é muitas vezes um gosto vulgar.

O iniciante não o deve ser ingênuo em demasia, senão ele vai perder muito, ele aumenta muitas vezes sua surpresa com o bonsaísta experiente, as pessoas irão imaginar que árvores caducas desfolhadas no inverno estejam mortas. O uso de muita madeira morta em um bonsai é visto por muitos como um sinal claro de que a árvore está morta ou vai morrer em breve. Grandes bonsai são muitas vezes ignorados, porque não são um “real” bonsai, um verdadeiro bonsai é uma forma muito pequena.

Um bonsai não é um livro aberto, onde o conteúdo está aparente à todos que olham para ele, consiste em muitas pistas escondidas, nas metáforas. Quem não entender as pistas, apenas vai ver uma árvore em um vaso. Por exemplo, quem não conhece a mensagem “triunfo na luta pela sobrevivência”, terá problemas com um bonsai com lotes de madeira morta, uma linha muito fina de vida, mas saudável procurando folhagem. Os leigos irão perguntar porque é que uma árvore que está exposto já está morto ou vai morrer, ou transmite a sensação de estar doente. Muitas vezes, é um mistério para os experientes bonsaístas por que razão as pessoas ficam de pé à frente de um grande bonsai, mas não acho que é ótimo. Seria de pensar que uma boa árvore é apenas isso e todos deveriam ser capazes de ver que, mesmo um leigo. Mas isto não é assim. A árvore por si só não é bonita nem boa, ele só envia sinais, o observador deve ter aprendido a reconhecer os sinais, para decifrá-los e apreciar a árvore. Isso leva um grande tempo de educação. Só a interpretação dos sinais conduz à informação, à avaliação, se opondo a um pobre ou um bom bonsai. A informação não está na árvore, mas no cérebro do espectador. “A beleza está nos olhos do observador”. A forma como um espectador vê um bonsai está intimamente ligado à experiência de uma vida, com a sabedoria de que o telespectador obteve, é interessante notar aqui que a sabedoria não é armazenada apenas na linguagem, mas também na forma fotográfica e emocional formulada.

Muitas pessoas têm problemas com o “excessivo” uso da madeira morta na arte bonsai, isso acontece porque eles não tem visto o suficiente árvores com madeira morta, pode-se ver essas árvores na natureza, mas apenas em situações extremas, como altas montanhas ou em regiões áridas. Um fazendeiro da montanha de Tirol, que nunca havia visto um bonsai em sua vida antes, foi para uma exposição de bonsai e não perguntou: “quantos anos tem esta árvore?”, ou “Quanto ela custa?”, não, ele perguntou: “como é possível que uma pequena árvore tenha sido atingida por um raio?”. Ele tinha a experiência que em todos as outras árvores no qual ele tinha visto com madeira morta, ficaram desta forma por terem sido atingida por um raio. Ele não pôs em causa a utilização da madeira morta e formas extremas devido a sua experiência quotidiana.

Por outro lado, podemos encontrar pessoas que sabem muito bem o que pode parecer-se com árvores em situações extremas, mas eles ainda são contra desenhos extremos de bonsai. O motivo é que muitas vezes o espectador espera um bonsai que represente um “ideal” de árvore. O ideal é uma árvore de beleza média, mas excepcionalmente uma bela árvore, a beleza extrema, nunca. Isso é difícil de aceitar para o artista que está tão entediado pelas árvores normais que ele aprendeu a ver os extremos como ideal. Esses bonsai estão ficando assim longe do ideal natural que eles são cada vez mais abstratos e não aceitáveis para o telespectador de médio conhecimento.

Pode se dar conselhos a para o visualizador de um bonsai: se livre de pensamentos sobre os títulos, descrições, estilos, formas, apenas deixe a árvore, como tal, penetrar-lhe aos olhos e à alma. Tudo o que se pode dizer com palavras não tem lugar com o telespectador, só sentimentos contam agora. O telespectador deve ver e não olhar. Somente olhar é inútil vendo um bonsai, sem quaisquer exigências. A visão se opõe a isso, é racional, direcionada, pode-se dizer que a procura acontece no lado direito do cérebro, enquanto que a visualização acontece no lado esquerdo. Quem aceita este conselho vai esquecer todas as regras, tal como o artista fez quando criou este bonsai. O bonsai é uma festa para os olhos e não para o intelecto.

 

 O carvalho acima foi exposto em GSBF a Convenção de 2003, em Fresno, na Califórnia.  Abaixo está a crítica pública por Walter Pall do carvalho por Katsumi Kinoshita de Monterey, na Califórnia.  Será que ele faz algumas pessoas pensarem?

O carvalho acima foi exposto em GSBF a Convenção de 2003, em Fresno, na Califórnia. Abaixo está a crítica pública por Walter Pall do carvalho por Katsumi Kinoshita de Monterey, na Califórnia. Será que ele faz algumas pessoas pensarem?

-”Esta é a árvore mais feia desta exposição! Oh, esta é feia, é realmente feia. Como pode alguém se atrever a exibir tal uma árvore em uma importante exposição? Tudo está errado sobre este bonsai. É mesmo um bonsai, ou apenas uma peça de material em um pote? Onde está o Nebari? inexistentes. Onde está o primeiro ramo? Oh, este é o suposto primeiro ramo? É atroz! Define o tema para toda a árvore, sim. Esse ápice parece mais com um cogumelo do que um bonsai. Numa escala de um a cem, esta árvore recebe menos quinze pontos. Ai, ele é feio !

 

Caminham afastando-se dela, deixando a árvore para falar por um tempo, olham para trás novamente e tentam ver alguns detalhes indo mais perto, muito perto.

-Olhem para isso aqui na parte de trás do ápice, este é um grande buraco velho, uma coruja gigante tem que viver aqui.  Onde esta árvore foi buscar a enorme cicatriz? Esta deve ser uma árvore muito velha. Quanto mais tempo eu olho para ela a mais velha ela fica, este pode muito bem ser um carvalho quinhentos anos.

Este carvalho estava lá antes de os espanhóis chegaram, a guardiã do vale viu os nativos americanos passar por espanhóis, que viram os russos, o ouro em escavações, ele viu a República da Califórnia! Ela viu tudo, muito mais do que nunca iremos ver. Esta árvore é dona do vale

Tenho profundo respeito desta árvore. Eu começo a admirá-la! E é tão feia! Feio em uma maneira muito grave, em uma respeitável maneira, como uma pessoa muito velha, esta árvore impressiona-me profundamente.

Será que é um bonsai? É um bonsai bom? Bem, se bonsai é uma atividade artesanal e de ser julgado pelo intelecto, é um terrível bonsai. Se bonsai é uma arte, então temos de perguntar: é arte quando ele toca sua alma? Sim. Trata-se de arte elevada quando ela toca muito a tua alma? Sim. Arte não é sobre como criar algo bonito? NÃO! Arte é a de criar algo que toca a tua alma – pode ser bem feio.

            Esta árvore é tão feia que começa a ser bonita novamente. Queremos melhorar este carvalho? Não, mas talvez nós podemos melhorá-lo, daí a tornaremos um pouco mais feia. “

 

O pinheiro (matsu) – parte 1

texto e fotos de Morten Albek

Tradução por Caetano Viviano

Japanese White Pine Bonsai- Pinus parviflora

 

 

Pinus é o nome latino e Matsu é o nome japonês de uma das mais apreciadas espécies para bonsai, o Pinheiro.

 

Pinheiros têm um poder definitivo e estético, uma árvore de muito valor. Ao mesmo tempo, o Pinheiro é também uma das espécies mais difíceis para se transformar em bonsai.

 

Muito embora o Pinheiro, Matsu, seja tolerante à seca e resista tanto com temperaturas congelantes como com verões quentes, ainda assim não é um dos bonsais mais fáceis para manter.

 

Os Pinheiros parecem ter se desenvolvido para lidar com o ambiente no qual se estabeleceram e são, portanto, difíceis de serem movidos para uma outra região sem que isso seja feito com muito cuidado.

 

Os Pinheiros demandam muito conhecimento acerca das técnicas a serem utilizadas. As necessidades biológicas do Pinheiro precisam ser compreendidas para que se possa lidar com a espécie e obter a recompensa dessa árvore maravilhosa.

 

Nas seções deste website, tentei cobrir boa parte das informações necessárias. Meu objetivo é fornecer um apanhado geral que possa ser compreendido, para que se obtenha um melhor sucesso com os Pinheiros como bonsai.


 

O efeito obtido

O propósito de arrancar agulhas consiste em que vários novos botões serão formados durante o Inverno.

Shohin - M. Albek

 

 

A técnica de arrancar as agulhas

Use seus dedos para gentilmente quebrar e puxar as agulhas, uma a uma. Com esse método, o botão dormente que está localizado na parte inferior da folha, entre o par de agulhas, acordará e crescerá. Este botão adormecido terá agulhas menores e crescimento mais adensado.

Se ambas as agulhas forem arrancadas de uma vez, é bem provável que o botão adormecido seja arrancado também.

 

Se você está inseguro acerca de quais são as agulhas velhas, é possível sentir com seus dedos. As agulhas velhas são mais duras e de tonalidade verde mais escuro, comparadas com as novas que cresceram no último ano e que são mais maleáveis.

As agulhas mais recentes são, também, mais facilmente arrancadas, enquanto aquelas mais velhas necessitam de mais força.

 

 

Poda

Há dois objetivos com a poda. O primeiro relaciona-se com a estilização geral da árvore. O segundo tem a intenção de desenvolver ramificações através de uma poda dos galhos. Aqui, o objetivo da poda é o de desenvolver novos galhos, os quais formarão agrupamentos de 6 a 10 agulhas no fim de cada galho.

Deixar algumas agulhas em crescimento, para melhorar a probabilidade de formação de um novo botão na madeira velha, e a formação de um novo galho lateral. Quando o fim do galho é cortado, deixar de dois a quatro pares de agulhas. Isso ajudará o desenvolvimento de novos galhos laterais.

Os novos botões crescem costumeiramente em agrupamentos ao redor da bainha de agulhas. Tenha muito cuidado para não danificar essas bainhas.

 

Hora da Poda

Em geral, é hora da poda quando sua árvore está com crescimento lento, durante o Outono e o Inverno. Isso evitará perda de seiva, o que estressa a árvore.

Se você deseja obter o desenvolvimento de novos botões em plantas novas, a poda deve ser feita no Verão.

A poda durante o início do Outono dará ao Pinheiro uma mudança estrutural.

Quando podar, é sábio deixar um pequeno pedaço de ramo que secará durante os próximos meses.

Nunca deixe um galho sem folhas por pena de perda do mesmo

 

Menor espaço de entrenós

Os dois ou três primeiros internós de um botão novo obtido através da poda, serão mais curtos que os internós do resto da brotação. Pinçando e deixando um ou dois botões, contribuirá para manter as seções internos curtas, e também descartando as fortes brotações que têm longos internós. Isso é importante para a área da parte externa do galho.

Da mesma forma que para os galhos do tronco, os galhos externos devem ter agulhas e nós bem próximos (adensados), de modo a produzir uma aparência natural e uma silhueta firme e compacta.

O comprimento dos internós é também influenciado pelo tempo e pelo crescimento da árvore. Árvores com bom crescimento formam internós longos, tanto quanto árvores muito fertilizadas na Primavera, ou Pinheiros podados durante o Inverno. Pinheiros que são fertilizados e podados no início do Verão, e não na Primavera, formarão, também, menores internós.

 

Diferenças entre Pinheiros de duas e cinco agulhas, e crescimento balanceado.

Texto, desenhos e fotos por Morten Albek

 

Desenvolver novos galhos e novos botões nos Pinheiros é uma das dificuldades com essa espécie. E pode ser um pouco complicado obter um apanhado geral das muitas diferentes técnicas para o sucesso com os Pinheiros.

Tentarei descrever algumas regras que, espero, auxiliarão a entender isso.

 

Balanço

Balancear o vigor entre áreas fracas e fortes de uma árvore é, também, algo com que se preocupar. Pinçar e podar deve ser feito com o objetivo de balancear os galhos mais fracos contra aqueles de crescimento mais vigoroso. O mesmo é o caso com agulhas fracas e fortes.

Faça isso apenas em árvores sadias. Árvores fracas devem ser deixadas crescer e ganhar vigor.


 

Os Pinheiros têm o crescimento mais forte no topo e nas pontas dos galhos. Galhos mais baixos e as brotações interiores são os mais fracos.

Portanto, é necessário manter o balanceamento entre as partes mais fortes e as mais fracas, fazendo a pinçagem e a poda mais dura nas partes mais fortes, para que as partes mais fracas ganhem força.

 

Com este trabalho, o foco está em manter o balanceamento entre áreas fracas e fortes. Isso influenciará, também, em quantos novos brotos emergirão, mas o foco está no balanceamento do crescimento:

1) Comece pinçando os botões fracos indesejados.

2) Uma semana depois, pince os botões fortes indesejados.

3) Depois, seletivamente, remova botões nas áreas fracas, deixando apenas o maior e mais forte.

4) Por último, nas áreas mais fortes, deixaremos os botões fracos e removeremos o maior e mais forte.

Pinheiros de cinco agulhas são tratados de forma oposta.

 

Agulhas fortes versus agulhas fracas

A dificuldade em entender esta parte está na regra de deixar as agulhas mais fortes crescerem quando você pinça as mais fracas primeiro! Isto se faz para manter as agulhas curtas, e terá nenhum efeito no balanceamento geral se a pinçagem for feita durante um período de três semanas.


 

Conhecendo seu Pinheiro

Temos que ter um bom conhecimento sobre a árvore e seu crescimento, para compreendermos completamente isto. Se você cuidadosamente observar sua árvore através das estações, você estará bem ciente sobre o balanceamento entre áreas fortes e fracas e, portanto, será capaz de corrigir qualquer crescimento desbalanceado.

Sempre pode de forma a deixar que o Sol alcance os galhos internos, para desenvolver novos botões, a partir dos quais novos galhos possam crescer. Isso assegurará a possibilidade de desenvolver e manter seu Pinheiro na forma desejada.

Para Pinheiros de duas e cinco agulhas.

 

Diferenças

É importante saber que há algumas diferenças entre as espécies de Pinheiros.

 

1) Há o Pinheiro comum de duas agulhas, que inclui, por exemplo, o Pinus sylvestris, Pinus thunbergii (Pinheiro Negro japonês) e o Pinus mugo. Todos eles são conhecidos por possuírem duas agulhas a partir do mesmo ponto.

Pinheiro de 2 agulhas japonês

 

1) Os Pinheiros de cinco agulhas possuem cinco agulhas no mesmo agrupamento, como o Pinus parviflora (Pinheiro Branco) e variantes.

Pinheiro de 5 agulhas japonês

 

 

1) Um Pinheiro especial é o Pinheiro de três agulhas, e este é tratado como o de duas agulhas.


 

É muito importante diferenciar entre os Pinheiros de duas e três agulhas, e o de cinco agulhas. Eles necessitam ser tratados diferentemente, para que se tenha sucesso.

Além disso, é necessário ficar atento ao timing para pinçar novas velas.

Os Pinheiros reagem diferentemente se novas velas são pinças cedo, tarde ou em momento algum. Também o período do anos em que as tarefas são executadas influenciará na reação e comportamento dos Pinheiros.

Como regra geral, é melhor manter as árvores no lado mais seco no período em que as velas estão desabrochando e endurecendo.

 

Fatores que influenciarão tanto o Pinheiro de duas agulhas como o de cinco agulhas

O vento e o tempo em geral, afetarão as técnicas usadas nos Pinheiros. E as diferentes espécies reagirão diferentemente sob essas influências.

Mas a principal preocupação é o timing para a pinçagem, em relação ao desenvolvimento das velas. Isso afetará o quão bom será o efeito da pinçagem e qual o resultado que se seguirá.

Velas

Como princípio, as velas mais fortes precisão ser removidas para que as mais fracas se desenvolvam. De outra forma, os galhos mais fracos morrerão com o tempo.

As velas mais fracas, portanto, devem ser pinçadas apenas em um terço de seu tamanho, ou nada, dependendo do seu vigor. As velas fortes devem ser podadas deixando apenas um terço ou removidas totalmente.

Divida o processo em três passos, com aproximadamente uma semana de pausa entre as pinçagens.

Quando novos botões brotam no fim da estação a partir da base da pinçagem ou atrás, o mesmo princípio deve ser usado para manter o balanceamento entre pontos fracos e fortes.

 


Cinco princípios

1) Sempre serão deixadas não mais do que duas novas velas para formar o novo crescimento, após a pinçagem. Remova velas excessivas.

2) Sempre remova a vela central, para que o novo crescimento ocorra em forma de V.

3) Removendo as velas mais lentas primeiro, em Pinheiros de duas agulhas, auxiliará na surgimento de agulhas do mesmo comprimento. É o oposto quando você pinça Pinheiros de cinco agulhas.

4) Quanto mais velas são removidas, mais novos crescimentos aparecerão. Em árvores velhas, que apenas precisam ser mantidas em forma, isso deve ser parcialmente ou totalmente evitado.

5) Se você tem dúvidas sobre como e quando fazer, é sempre aconselhável levar sua árvore a um cultivador de Pinheiros experiente. É sempre mais fácil entender as técnicas quando elas são mostradas para você.

 

Yamadori e primeiros cuidados

Texto e fotos por Morten Albek

coleta da natureza - yamadori

 

Yamadori é a palavra japonesa que significa a coleta de plantas da natureza. A melhor época para o Yamadori é no início da Primavera, para árvores decíduas, e durante o Outono ou bem no início da Primavera quando a tarefa é coletar a maioria das plantas que sempre estão verdes.

Uma das melhores espécies para coletar na natureza é o Pinheiro. Especialmente Pinheiros de montanha apresentarão grande maturidade e força pela rugosidade de seu tronco em bons espécimes velhos.

Yamadori é o meio de se obter árvores de alta qualidade. Leva muito tempo, mas vale totalmente o esforço, se você quer o melhor. Ao mesmo tempo, você terá um estreito contato com a natureza, e isso me dá uma certa relação com uma árvore coletada da natureza.

As árvores coletadas da natureza terão a maturidade que é tão valorizada em um bonsai, e os Pinheiros obtidos em estufas não terão essas qualidades.

Mente aberta

Quando se coleta da natureza, é importante manter a mente aberta, de modo que se consiga ver a árvore selvagem como ela será após ser estilizada nos anos que se seguirem. O que você deve realmente procurar é o tronco, pois a alma do tronco é mostrada nessa etapa. Sem um tronco poderoso, não se obtém um bonsai poderoso.

A formação dos galhos é quase sem importância, pois em muitos casos será possível estilizar a árvore mais tarde, arranjando a estrutura de galhos.

Além disso, Pinheiros tem a grande vantagem de que seus galhos se submetem com grande facilidade, se não forem muito velhos e finos.

No campo, será possível fazer o corte de galhos muito longos, mas isso deve ser feito com cuidado, e lembre-se de selar todos os cortes com pasta selante imediatamente.

Quanto menos você corta no campo, melhores são as chances de sobrevivência quando da remoção de seu local de origem. Em alguns casos é necessário balancear a massa de folhagem ao volume das raízes, para manter viva a árvore.

 

 

 

Fixas na rocha ou soltas?

Antes de tentar remover a árvore, verifique cuidadosamente se é possível remove-la sem por em risco a vida da planta.

Como regra, é freqüentemente possível coletar a árvore, se você conseguir fazer com que ela se mova a partir de sua posição original. Se ela estiver sólida como uma rocha, as raízes estarão crescendo mais fundo, nos espaços das rochas. Com isso, provavelmente você não obterá nenhuma das necessárias raízes curtas que sustentam a vida da árvore quando ela for colocada no estreito espaço de um vaso.

Cuidado posterior

É importante fornecer o apropriado cuidado aos Pinheiros (bem como a outras espécies), de forma a permitir sua sobrevivência.

O ponto crucial é a obtenção de um adequado volume de torrão de terra e raízes, quando cavamos. Primeiro, cave ao redor da árvore e assegure-se de que há uma boa quantidade de raízes no torrão de terra retirado com a planta. Antes da retirada da árvore, um pedaço de pano é enrolado no solo do torrão escavado e amarrado firmemente para manter coeso o torrão. Isto vem impedir que as raízes se rompam quando a árvore é retirada do chão. Adicione musgos ao redor do torrão e da parte inferior do tronco, para manter a umidade. Os musgos são geralmente encontrados próximo aos Pinheiros, em seu local de origem.

 

Container de madeira

Depois que a árvore coletada é trazida para casa, plante-a em um vaso de madeira, com um solo muito bem drenado. Só remova um pouco do solo original para que as novas raízes tenham um contato com o novo solo.

Cuidadosamente, remova um pouco do solo original com um bastão de madeira, mas não corte nenhuma raiz.

 

É importante que as raízes estejam tão intactas quanto possível, quando a árvore for plantada, pois a remoção e corte de raízes no campo é muito estressante, especialmente em espécimes velhas.

 

 

 

 

 

O pinheiro (matsu) – parte 2

texto e fotos de Morten Albek

Tradução por Caetano Vivuao

 

Paciência é fundamental

Quando a árvore houver ganho força novamente, após um, dois ou mais anos, e mostre sinais significativos de forte crescimento e saúde, ela pode ser replantada ou treinada, mas não ambos na mesma estação. Escolha o que for melhor para a árvore e espere um ano para fazer a próxima operação estressante. Pinheiros são muito sensíveis ao estresse e cada operação, como a aramação e a poda, estressarão a árvore em diferentes níveis. Portanto, apenas faça uma dessas operações por ano, para assegurar a saúde das árvores. Tempo é também necessário quando a árvore tem que se recuperar de uma trabalho excessivo, na ânsia de se economizar tempo. Se você seguir a regra de uma operação por ano, você obterá resultados muito mais rápidos do que fazendo tudo de uma única vez.

 

 

 

 

Arames de segurança

É importante fixar apropriadamente a árvore coletada, no vaso de treinamento, para proteger as raízes de se quebrarem. Após o reenvazamento, as raízes iniciarão novo crescimento dentro de pouco tempo. Mas novas raízes são muito frágeis, e quebrarão facilmente se forem perturbadas. Isso pode ocorrer quando o container é movido ou quando o vento balançar a árvore. As raízes se quebrar nesse estágio inicial, quando a árvore ainda não ganhou força, o que pode ser catastrófico.

Portanto, é necessário fixar a árvore apropriadamente no container. Arames são presos através de furos na parte inferior do container, e amarrados nas finas raízes. Para estabilização adicional, é conveniente adicionar arames de segurança entre os galhos e o container de madeira. Após uma completa estação de crescimento, os arames de segurança podem ser removidos, se a árvore estiver mostrando sinais de bom crescimento. Conduza os arames de segurança através de um tubo plástico, de modo a proteger os galhos.


Cuidados diários

Normalmente, árvores fracas ou estressadas devem ser colocadas na sombra por um mês ou dois, mas os Pinheiros preferem o Sol. (N.T.: Há controvérsia, pois o Sol forte do verão tropical faz com que as agulhas se queimem rapidamente. Portanto, o Sol que o autor se refere não é o Sol de países tropicais). Se o tempo for muito quente, é aconselhável manter uma semi sombra durante as horas mais quentes do meio dia.

Use fertilização orgânica desde o início, com uma solução bem moderada. Pulverize as agulhas tão freqüentemente quanto possível, pelo menos duas ou três vezes. A árvore se beneficiará de uma solução bem leve de um fertilizante foliar.


E o mais importante é pulverizar as folhas com um fertilizante à base de vitamina B, para fortalecer a árvore tanto quanto possível. Muitos produtos podem ser comprados junto aos negociantes de bonsai.

 

Musgos

Se possível, é recomendável coletar musgo longo e fibroso no local de origem da árvore. O musgo tem um efeito muito positivo na árvore, pois provê hormônios e vitaminas, se o musgo é colocado nas vizinhanças das raízes e sobre o solo. Ao mesmo tempo, o musgo mantém a umidade na área que está coberta por ele.

 

Restituição

É importante deixar que a árvore descanse após sua coleta. Quando envazada, a árvore devem ser deixada em paz e apenas regada, pulverizada e adubada. A regra geral é não fazer nada com a planta até que ela tenha mostrado significantes sinais de forte crescimento. Isso pode levar algum tempo, e pelo menos um ano. Em alguns casos, podemos esperar até quatro estações até que qualquer trabalho possa ser feito com a árvore.

Principalmente as árvores muito velhas necessitam de algum tempo para se recuperarem. Mas isso vale esperar, de modo a não perdermos um espécime de valor. O tempo gasto na espera será facilmente recuperado quando tivermos uma árvore forte, a qual será capaz de tolerar a estilização que virá.

 

Guia de cuidado para o Pinheiro

Texto e fotos por Morten Albek

 

 

Um Pinheiro necessita atenção para que se obtenha seu crescimento.

Embora os Pinheiros cresçam em grande variedade de climas, é importante conhecer suas necessidades como bonsai. Esta é uma descrição geral e um guia de cuidados dos Pinheiros como bonsai. Note que devemos ter atenção ao fato de que diferentes espécies de Pinheiros necessitam diferentes condições, de acordo com o clima da área onde eles estejam crescendo.

 

Luz

Sol direto. Falta de luz fará com que as agulhas cresçam. (N.T.: Se a planta estiver fraca, o crescimento das agulhas será interessante nesse estágio, pois favorecerá a recuperação da árvore). A insolação manterá as agulhas mais curtas (N.T.: mas também poderá queimá-las.).

 

Sobre-inverno

É tolerante a baixas temperaturas, abaixo de 20 a 30 °C ou mais baixas, dependendo da espécie. Se não estiver coberto de neve, manter as árvores longe de ventos congelantes, os quais secarão a planta.

 

Regas

Não deixe o Pinheiro ficar muito úmido. É importante deixar que a terra superficial dos Pinheiros seque ligeiramente entre as regas.

No período que as novas agulhas se desenvolvem, é importante manter o Pinheiro num local seco, para desenvolver agulhas mais curtas. Evite que as agulhas fiquem muito úmidas nesse período.

O Pinheiro Negro japonês é especialmente sensível à terra úmida, e facilmente fica com as raízes danificadas. Em geral, é extremamente importante manter um solo bem drenado para os Pinheiros, que permite que a água escoe rapidamente após a rega. Um solo bem drenado adiciona gases às raízes, o que é especialmente importante para os Pinheiros.

Fertilizantes

Na Primavera, a fertilização começa com o uso de uma solução leve de NPK 0-10-10. Até que os botões comecem a se desenvolver, a força do fertilizante é aumentada com um fertilizante normal. Eu sempre uso fertilizantes orgânicos peletizados, como Biogold, para esse propósito.

Quando os botões começam a surgir, a fertilização deve ser suspensa imediatamente, até que novas agulhas estejam completamente desenvolvidas e endurecidas. Isto é quando as agulhas são verde escuro e parecem duras. O período de não fertilização manterá as agulhas mais curtas. Se você necessitar crescimento adicional em uma árvore fraca, pule esta fase.

Após o período de desenvolvimento das agulhas, é tempo de adicionar fertilizantes novamente. No meio do Outono, até o fim, usamos um fertilizante 0-10-10. Isso reforçará as raízes para o Inverno.

Solo

O solo usado por Pinheiros deve ser muito bem drenado. Frequentemente, um solo úmido irá matar o Pinheiro.

Use um solo bem grosso, com a adição de areia e casca de pinheiro. A casca de Pinheiro ajudará na formação de uma saudável colônia de fungos chamados Mykhorriza. Os fungos ajudam o Pinheiro a obter nutrientes e água, e o Pinheiro retribui aos fungos com o fornecimento de hormônios que os beneficiam.

Minha mistura de solo, que é boa para o clima da Europa do Norte é: 25% de Sphagnum, 25% de casca de Pinheiro e 50% de areia.

Em climas mais quentes, a Akadama é muito útil. A Akadama é uma lama japonesa queimada fortemente, que pode ser usada quando a umidade do ar é relativamente alta.

Todo cultivador de bonsai experiente irá desenvolver sua própria receita de um solo de sucesso, que deve ser adaptado ao clima da área onde a árvore vive.

 

Re-envazamento

Como regra geral, os Pinheiros preferem vasos fundos.

São necessários de 3 a 4 anos entre re-envazamentos de Pinheiros. Espécimes novos e vigorosos podem ser replantados a cada dois anos, até que seu crescimento diminua.


As raízes de uma árvore se desenvolvem vagarosamente no primeiro ano após o reenvazamento e poda das raízes. No segundo ano, as raízes crescem mais rápido e, no terceiro ano, o crescimento de raízes é o mais forte. Após esse ano, é aconselhável o re-envase e a poda das raízes, de modo a desenvolver novas raízes finas.

O cronograma de replantio leva também em conta que a mistura de solo estará deteriorada num período de 3 a 4 anos, e necessita ser renovada.

Sempre preste atenção ao bem estar da árvore. Se ela está fraca ou parece apresentar crescimento muito vagaroso sem visíveis sinais na árvore, isso quase sempre está relacionado com a saúde das raízes.

Simplesmente replante a árvore imediatamente e, no caso de raízes danificadas, é altamente recomendável plantar a árvore em areia pura.

É importante só usar solo seco no replantio, para que não haja compactação excessiva. Após o fim do replantio, o solo deve ser regado completamente.

 

Poda

A époda da poda depende do tipo de Pinheiro que será podado. Em geral, é tempo de podar quando a árvore está em crescimento lento, durante o Outono e o Inverno. Isso evitará a perda de seiva, o que estressa a árvore.

Na poda, é conveniente deixar um pequeno pedaço do galho, o qual irá secar durante os próximos meses. Isto é feito para dar à árvore o tempo para encontrar novos caminhos para a seiva da área de corte, e deixará um Jin natural, um galho morto.

Sempre use uma pasta selante para cobrir o corte, de modo a reduzir a perda de seiva.

Pinçagem

Há dois tipos de pinçagem. Novas velas são pinçadas quando se desenvolvem durante a Primavera ou início do Verão, e as agulhas velhas são podadas ou pinçadas durante o Verão ou Outono. Este é uma das mais exigentes e difíceis técnicas dos Pinheiros em crescimento como bonsai. Cada espécie requer um tratamento diferente.

 

Aramação

A época ideal para aramar Pinheiros é durante o Inverno. Nessa época os galhos não afinam e os novos botões estão endurecidos, e não são danificados como facilmente ocorre no Outono. No Outono, o Pinheiro desenvolve botões que são muito frágeis e se quebram com um simples toque.

Uma época altternativa do ano para a aramação é no meio do Verão, após as novas velas estarem desenvolvidas. Tome cuidado, portanto, para que os galhos estejam se afinando rápido e, especialmente no Outono, quando o crescimento das raízes ainda continua. Um galho que está se expandindo ficará marcado com os arames e, em Pinheiros, isso pode nunca mais desaparecer.


 

Pinçagem de velas em Pinheiros de duas e cinco agulhas

Texto e fotos por Morten Albek

Pinheiro de duas agulhas:

 

1) Se uma vela nova é pinçada até que fique com 1/3 ou metade de seu tamanho, cerca de 3 a 5 novos botões emergirão no corte. Esta técnica é usada em Pinheiros completamente desenvolvidos, os quais não necessitam de crescimento adicional, mas com o principal objetivo de manter o desenho atual. Melhores resultados são obtidos durante os meses de Abril, Maio ou Junho, dependendo da espécie.

2) Se um galho de um ano de idade é podado onde há agulhas de um ano, o galho irá desenvolver novas agulhas entre o topo e a parte de trás do galho de um ano de idade. Mas não na parte velha. Nunca corte onde não há agulhas no galho, pois ele morrerá imediatamente. Esta técnica é executada durante Maio e até Agosto (N.T.: no Hemisfério Norte).

3) Se a vela é quebrada, como no exemplo 1, ou o galho é cortado, como no exemplo 2, nesses períodos ambos os resultados aparecerão ao mesmo tempo.

4) Este método é especialmente usado para desenvolver novos botões em galhos como no exemplo 2. Quando as velas se abriram, e as agulhas estão completamente desenvolvidas, elas são cortadas na base. Na mesma estação de crescimento, novas e menores agulhas se desenvolverão, e novos botões brotarão nos galhos. Sempre comece cortando as velas fracas, e duas semanas mais tarde corte a mais forte, em Pinheiros de duas agulhas. Isso fará com que se desenvolvam agulhas mais curtas. A época para essa operação é entre Maio e Junho (N.T.: no Hemisfério Norte).

 

Arrancando agulhas velhas em Pinheiros de duas agulhas.

As agulhas velhas podem ser removidas após as velas terem se desenvolvido completamente. As velas velhas são aquelas que saíram por último (e mais velhas).

As agulhas são arrancadas com os dedos, uma por vez. Se um par de agulhas é arrancado de uma vez, isso danificará o botão dormente na base. Assim, tire gentilmente uma agulha de cada vez.

O botão dormente, então, se desenvolverá durante o Outono, e novo crescimento nos galhos serão provocados quando velas também tenham sido tratadas como descrito anteriormente.

A melhor época para arrancar velas é durante Agosto até Setembro (N.T.: no Hemisfério Norte).

 

Nesta parte, descreveremos as diferenças nos cuidados com o Pinheiro de 5 agulhas, comparados aos cuidados com o Pinheiro de duas agulhas.

Pinheiros de cinco agulhas são geralmente tratados como os de duas agulhas, exceto por estas técnicas especiais:

Agulhas velhas não são arrancadas, mas cortadas com uma tesoura afiada, cerca de um ou dois milímetros acima da base. Se pinçadas, o botão dormente será danificado.

As agulhas velhas podem ser diminuídas em tamanho quando as novas velas estão completamente desenvolvidas.

O pinheiro e o nirvana

“Para aprender sobre o Pinheiro, vá até o Pinheiro. Para aprender sobre o bambu, vá até o bambu” (parte do poema Haku – Matsuo Basho (1643-1694)

 

 

goyomatsu (pinheiro de cinco agulhas)

goyomatsu (pinheiro de cinco agulhas)

 

Pinheiros são, seguramente, das mais estéticas e valorizadas espécies utilizadas para bonsai. No Japão, o Pinheiro também traz respeito e religiosidade. Em frente de algumas casas japonesas, um Pinheiro é colocado com um longo galho sobre a entrada ou ao longo da casa, simbolizando um desejo de uma vida longa para o convidado que visita a casa.

Um especial estilo de bonsai é chamado “A mão de Buddha”. O mito é que as nuvens de agulhas no Pinheiro são formadas como degraus, e esses degraus levam ao Nirvana. 

 

Texto por Morten Albek

Juníperus comunis chokkan (shari em espiral)

Contrariando algumas regras porém em absoluta inspiração em um trabalho de Dan Barton, embora nem chegue perto de sua habilidade e beleza de sua obra, até porque resolvi fazer de forma que ficasse bem diferente, mas com um toque da idéia do mesmo.

O shari em espiral vai da base ao ápice sem falha

O shari em espiral vai da base ao ápice sem falha

Esta foto foi feita em 05/10/2008 e posso lhes garantir que ele não sofreu perda de nenhum galho ou ramo sequer, pelo menos até agora…

O espaçamento entre um e outro galho será diminuido aos poucos, principalmente o lado direito (o do 1o galho), mas a planta foi toda aramada (galhos secundários), para dar mais espaço às suas futuras bifurcações e massa foliar, por isso ele está meio despenteado.

Quando o envasar eu atualizarei aqui mesmo. Isso é espécie guerreira!!

Atualizando seu estado em 30 de janeiro de 2009.

IMG_1409

Buxus literati

Este é um buxus sempervirens (buxinho), tem em torno de uns 30 anos e seu berço foi uma cerca-viva , já vem sendo educado em vaso pequeno há uns 5 anos e foram para o de bonsai há uns 2 anos.

Buxus literati 01

Buxus literati 01