Fabiano Costa bonsai blog

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Bonsai em Florianópolis

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Carmona macrofila

Esta planta foi iniciada no evento de 2007 na Nippon Bonsai, à principio tive pitacos muito importantes de Regina Suzuki e Mestre Osamu Hidaka, de lá pra cá ela foi se formando da forma no qual eu pretendia, como foi minha primeira planta da espécie, adorei trabalhar com a mesma pois se adaptou muito bem às condições climáticas de minha cidade e se mostrou uma planta muito bondosa. :)

No evento em 18/11/2007, seus primeiros trabalhos:

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Opinião de Hidaka-san:

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Mãos-à-obra:

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Resultado da primeira intervenção:

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Aqui ela está utilizando da técnica escorredor+mamadeira há mais de um ano, 30/01/2009:

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Foto atual 19/03/2009:

Detalhes do shari:

Serissa chinesa multi-troncos

Esta plantinha foi adquirida em produtores de topiarias, de lá para cá foi feito um trabalho de seleção de troncos para estruturação, daí foi feito um projetinho por mim e minha esposa (se eu deixar ela de fora estarei encrencado), então ela foi se ajeitando com podas e aramagens constantes.

Primeiro trabalho em 18/06/2008:

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Em 10/09/2008:

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Em 19/12/2008:

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Em 30/01/2009:

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Seu último trabalho em março de 2009:

Escola Bonsai Européia Brasil

Em 2007 aconteceu o V congresso Terra Bonsai que teve como convidado especial o Mestre italiano Salvatore Liporace.
Assim, em 2008, iniciou-se no Brasil, o 1 ano da EBEB (Escola Bonsai Européia Brasil) – Turma Ptecolobium, um projeto que nasceu com o objetivo principal de desenvolver com qualidade e profissionalismo a Arte Bonsai no Brasil seguindo os conceitos das escolas japonesas e européias de técnica, filosofia, prática e espiritualidade.
O 1 ano de uma série de 3 anos consecutivos, o pequeno grupo participou de uma jornada semanal intensa, onde cursos teóricos na parte da manhã se completaram com a prática à tarde.
Ao final da semana, os alunos foram avaliados pelo mestre através de exames teóricos individuais seguidos do exame prático, onde o Mestre considerou a escolha da planta, aramação, capacidade de visão da árvore e outros.
Esta escola é reconhecida pela UBI (União Bonsai Itália) e pela IBS (Bonsai e Suiseki instrutori).
Seguem algumas imagens do trabalho desenvolvido neste 1 ano:
Local Viveiro Terra Bonsai – Nova Lima – MG – Brasil
A organização é um show a parte esperado de Rock.

A organização é um show a parte esperado de Rock.

A arte bonsai no país agradece à esta iniciativa, pois a qualidade de ensino e informações aliadas ao zelo, organização e carinho destes mestres farão com certeza a diferença lá na frente.
Meus parabéns aos Mestres, professores e alunos desta escola, tenho absoluta convicção que o crescimento na arte após um evento como este é algo de dimensão gigantesca comparado à relação tempo/ensino usual dentro de nossas fronteiras.
Esta é mais uma bola dentro do meu amigo Rock Júnior que além de grande bonsaísta é um primoroso divulgador da arte, para quem não conhece o site da Terra bonsai, loja e escola dele, dê uma clicada pois vale a pena:

Poda por Maria Cristina de Gurruchaga

Maria Cristina de Gurruchaga
Buenos Aires – Argentina

Em geral o têrmo poda se utiliza para denominar qualquer tipo de corte que se efetua sobre uma planta. Mas é importante estabelecer uma diferença entre o corte e o pinçado.

PODA PROPRIAMENTE DITA
A poda propriamente dita cumpre uma função restauradora pois, permite rejuvenecer uma planta, eliminar defeitos, ramos mortos, dirigir, orientar e controlar o crescimento. Também assegura o equilíbrio entre a parte aérea e radicular (raízes).
Se a poda é importante em qualquer tarefa de jardinagem, no Bonsai adquire uma importância fundamental: mediante a poda se estabelece a estrutura básica, se conserva a forma e, se corrigem e evitam defeitos.

Antes de começarmos qualquer trabalho de poda é necessário saber como crescem as plantas. O bom resultado da poda depende do conhecimento que se tenha dos princípios que regem este processo.
Existem duas classes de tecidos de crescimento:
Tecido primário ou meristemático.

O tecido primário é formado por células que tem a capacidade de dividir-se indefinidamente e se encontram nos extremos das raízes e das gemas.
As gemas apicais são as mais ativas; o crescimento anual das árvores dependem delas. Se esta gematerminal é eliminada ou morre por alguma causa qualquer, a primeira gema situada logo abaixo dela entrará em atividade. Esta qualidade é a que permite obter uma boa ramificação mediante o pinçado. Na parte subterrânea das plantas, o tecido meristemático se encontra nas pontas das raízes.

Tecido secundário :
O tecido de crescimento secundário está constituído pelo cambium. O cambium é uma zona geradora integrada por células meristemáticas entre o lenho (madeira) e a casca, o qual por sucessivas divisões produz lenho pelo lado de dentro e casca pelo lado de fora. Os cortes (feridas) cicatrizam graças ao processo de crescimento que se produz no cambium. Este tecido também é responsável pelo aumento do diâmetro que se produz em galhos, ramos e raízes.

Pinçagem :
Durante o período de crescimento ativo, a pinçagem nos permite manter a forma da árvore, reorientar o crescimento e obter uma boa ramificação.
Temos que recordar que as gemas terminais são inibidoras da ramificação lateral. O fato de não eliminá-las a vegetação, consequentemente, com dominância apical (Para cima, em altura). A técnica da pinçagem nos permite, sem outras ferramentas que as nossa mãos, realizar uma parte deste trabalho de poda. Com as unhas do indicador e do polegar podemos eliminar a vegetação que cresce em local não adequado e, eliminar as gemas terminais para favorecer a ramificação lateral.

Tipos de Gemas :
A partir das gemas, as plantas lenhosas desenvolvem brotos e flores. Segundo sua função as gemas podem ser foliares (folhas) ou florais (flores). De acordo com o local onde estão colocadas podem ser apicais, laterais ou secundárias. Ainda mais, as plantas produzem latentes, que só se desenvolvem quando as gemas ordinárias sofrem algum dano. A amioria das árvores ou arbustos gera este tipo de gema, umas em maior quantidade que outras. É fundamental saber valer-se destas gemas para reorientar o crescimento, rejuvenescer uma planta ou reconstituir a copa, quando esta houver sido eliminada.

 
PARTES DE UMA ÁRVORE
Poda Estrutural :
Para dar forma a estrutura do futuro Bonsai quando a “matéria prima” é uma planta de viveiro ou árvore silvestre, será necessário suprimir aqueles ramos cuja localização não se ajuste ao estilo e, àquelas que não se possa corrigir através de aramação. Para que se destaque a linha do tronco, os primeiros 2/3 ( em sua parte frontal) devem ser livres de ramos mas, ao mesmo tempo, não devemos deixar a sensação de estar desnudo. Para que isto não ocorra é importante recordar que os ramos alternados, localizados na parte de trás do tronco o vestirão e darão profundidade ao Bonsai.

Depois de estudar detidamente a planta, avaliar sua posibilidades e decidir o estilo. Neste momento chega o instante de podar. Mas qual ramos cortar?
1. Os ramos do primeiro terço do tronco.
2. Os ramos que cruzam o tronco, tanto na frente como atrás.
3. Os ramos com crescimento invertido, mais finos finos na base que no ápice.
4. De dois ramos que crescem na mesma altura de cada lado do tronco, eliminar um.
5. Se dois ramos saem do mesmo ponto deixamos somente um.
6. Se existirem ramos paralelos elimina-se um.
7. Os ramos que crescem perpendiculares para cima ou para baixo.
8. Quando houver ramos dispostos em forma radial, eliminamos todos os que incomodam estéticamente.
9. Eliminam-se todos os ramos frontais, salvo os do último terço. Estes colocamos ligeiramente para esquerda ou para direita.
10. Os ramos que crescem para dentro.
11. Os ramos muito emaranhados.
12. Os brotos ladrões.
13. Os ramos em forma de U.
14. Os ramos em forma de Y.

Como e onde efetuar os cortes :
Quando se realizam cortes drásticos temos que prestar especial atenção ao lugar onde devemos efetuá-lo para que não tragam perigo para a planta.
1.Pode-se cortar um ramo principal até o tronco.
2. Até um ramo principal.
3. Até um ramo lateral promissor.
4. Acima de uma gema importante.
5. Até um ponto localizado acima de uma gema viva.
6. Eliminar a copa.
7. Até o colo da raiz.
8. Até um ponto localizado acima de um ramo.
Quando se poda, o corte não deve realizar-se nem muito perto e nem muito longe da gema. Si podamos muito próximo da gema corremos o perigo de machucá-la. Ao contrário, se cortamos muito longe da gema sobrará um toco de madeira morta que, além de anti-estético, ao apodrecer, será a porta de entrada para todo tipo de enfermidade. A distância entre o corte e a gema deve ter aproximadamente 3mm. É necessário localizar uma gema que aponte para fora e realizar um corte em diagonal acima da mesma. Este ângulo de corte deixará menos madeira e permitirá que a água escorra rapidamente.

Para um melhor êxito na cicatrização, a superfície do corte deve ser ligeiramente côncava. Se não se conta com a ferramenta adequada para realizar este corte, devemos seccionar o ramo o mais próximo do tronco possível e depois produzir uma concavidade com um pequeno formão. Outro método e o enxerto de casca. Antes de seccionar o ramo, solta-se a casca da parte inferior (A largura deve ser igual ao diâmetro do ramo). Poda-se o ramo o mais próximo possível do tronco, com um formão se faz uma pequena concavidade e, em seguida, se cobre o corte com o pedaço da casca que soltamos do ramo a ser cortado. Pressiona-se a casca em cima do corte e amarra-se com uma fita plástica ou cinta de pressão até que ela se firme. Esta operação deve ser feita no Inverno.

Poda de raízes
A poda de raíze é uma prática comum da jardinagem, mesmo que pouco conhecida. Permite transplantar árvores de grande porte, estimula o crescimento de exemplares jovens, consegue que árvores frutíferas ou floríferas comecem a produzir. Quando se podam as raízes de um Bonsai, a planta recebe todos estes benefícios e mais, o adicional de um sistema formado por raízes fortes e curtas da quais saem uma grande quantidade de raizinhas. Depois da poda a raiz desenvolve numerosas ramificações laterais. As novas raízes saem da capa do cambium situada debaixo da casca e se desenvolvem facilmente se o substrato tem a porosidade adequada (Textura grossa).

A massa radicular determina o volume da parte aérea de uma planta. Se o sistema radicular tem poucas raízes finas, os ramos e as folhas se mostrarão débeis. Ao contrário, uma planta com um sistema radicular adequado mostrará um aspecto vigoroso.

Poda compensatória :
O sistema radicular de um exemplar transplantado reduz sua capacidade de prover água a parte foliar. Para ssegurar o êxito de um transplante é necessário efetuar a poda compensatória. A parte aérea deve ser reduzida na mesma proporção que as raízes; isto permitirá que a planta desenvolva um novo sistema radicular. Enquanto dura este processo, as poucas raízes que sobraram serão insuficientes para que o sistema foliar receba a água necessária para a transpiração e a fotosíntese que ocorre. O equilíbrio entre a parte aérea e o sistema radicular trarão um restabelecimento rápido.
Da mesma forma que observamos a parte aérea ao podar as raízes, é necessário observarmos alguns princípios básicos. Todas aquelas que apresentem traumatismos ou enfermidade devem ser eliminadas, devemos chegar até ao tecido são. Os cortes devem ser em ângulo reto e com a superfície do mesmo para baixo.

Nas coníferas a poda de raízes deve reduzir-se ao mínimo, pois como não resistem a uma poda aérea drástica e tendo que conservar a folhagem exigem uma provisão constante de água.

Poda de conservação :
Uma vez estabelecida a estrutura do Bonsai, é necessário manter-se o contorno dos ramos. Se a nova vegetação crescer livremente, rapidamente o Bonsai perderá a sua forma. Para que isto não ocorra deve-se recortar durante todo o período de crescimento ativo ( Primavera – Verão).
Caso deseje aumentar o tamanho do Bonsai, quando os novos brotos tiverem 4 ou 5 pares de folhas, se reduz 2 ou 3. Caso contrário, elimina-se todo.
Na hora de podar temos que recordar que o corte deve efetuar-se acima de uma gema orientada para fora. A nova vegetação crescerá na mesma direção da folha localizada imediatamente abaixo do corte.
É impossível estabelecer quantas vezes deve ser pinçada ou recortada a folhagem. Isto depende da espécie e do clima.
O recorte constante dará como resultado uma copa frondosa e uma ramificação fina e abundante.

Alguns trabalhos de janeiro de 2009

Além das plantas atualizadas nos seus próprios posts vou selecionar alguma coisa que tenho feito nesta época por aqui, assim como poda, alguma pequena reestilização, mas apenas a foto atual, na maioria feita em 30 de janeiro de 2009.
Figueira branca (mamê)

Figueira branca (mamê)

Serissa cascata (mamê)

Serissa cascata (mamê)

Duranta repens (sanbon yose fukinagashi)

Duranta repens (sanbon yose fukinagashi)

Detalhe da área da ponte e o pastor e seu cão se protegendo do vento.

Detalhe da área da ponte e o pastor e seu cão se protegendo do vento.

Eleagnus (shohin)

Eleagnus (shohin)

Bouganvilea

Bouganvilea

Serissa foetida (neagari)

Serissa foetida (neagari)

Bouganvilea ( han kengai )

Bouganvilea ( han kengai )

Serissa foetida (multi-troncos)

Serissa foetida (multi-troncos)

Communis formal / shari em espiral (vídeo)

O Mito da Frente Única

 

 Bonsai por Vance Wood, Ilustração por Will Heath
Bonsai por Vance Wood, Ilustração por Will Heath

 Por Will Heath, E.U.A.

Existe uma ideia prevalecente em bonsai que uma única pequena fatia do todo, um único ponto de vista definido pelo artista, comumente chamado de frente, devem ser selecionados e uma visão muito estreita é exibida de forma que apenas este pequeno ponto de vista é mostrado.

Muitas vezes insistiu-se que um bonsai deve ter uma única definição de frente e que todos devem acreditar da mesma forma, com base exclusivamente sobre o que considera o artista é o melhor ponto de vista.

 

 

 

No próximo artigo irei mostrar porque creio que a única frente, uma vez que se pensou em bonsai, é um mito e por isso que temos vindo a ser preso nesta mentalidade. Vou definir vários tipos de frentes e vou tentar desfazer o mito de que bonsai deve ser um único estilo para a vista frontal apenas.

O que é uma fachada?

Muitas vezes, é explicado que a frente de um bonsai é o ponto de vista olhando para ele cerca de meio caminho até o tronco, e em um ângulo tal que a traseira do pote é apenas pouco visível. Este é o ângulo que precisa mostrar uma fotografia tirada do bonsai e, como tal, serve como ponto focal em torno do qual o resto do bonsai é estilizado.

O maior erro quando se fala de uma frente é assumir que existe apenas um tipo de frente, a frente que é mostrada quando uma fotografia é tirada. Esta é uma falsa suposição de que há realmente muitos tipos de frentes no bonsai. A frente que conhecemos, e falar tanto sobre é apenas uma das muitas frentes possíveis de se usar e é mais provável que o pior de todos, pois se baseia em pressupostos incorretos, como vou explicar mais adiante neste artigo.

 

Frente forçada: Devido à cicatrizes, má ramificação, ramificação desequilibrada, pobres ou outras falhas, Nebari, uma frente é escolhida baseado na necessidade de se ocultar esses defeitos. This is very common these days as many people wish to rush a bonsai into a pot and show the bonsai before the faults are given time to heal properly and correct themselves. Another name for this could very well be the Impatience Front. Isto é muito comum nestes dias, como muitas pessoas querem apressar o bonsai em um vaso e não mostrar falhas. Outro nome para este poderia muito bem ser a Frente impaciência.

 Este é o mais comum visto bonsai que estão à venda, como folhas e ramos podem ser utilizados para esconder costeletas e outras falhas na árvore. É também a mais fácil frente sem experiência de utilização, como erros podem ter, simplesmente virou para trás. A pessoa querendo apressar uma planta para que eles possam chamá-la um bonsai, ou a pessoa à procura de gratificação instantânea, sem escrúpulos ou o vendedor irá utilizar principalmente nesta frente, uma vez que lhes permite mostrar uma única opinião aceitável, geralmente a única opinião aceitável de seu bonsai, de forma rápida, sem ter que passar por um período normal de correções.

 

Frente de vaso: Devido à forma ou natureza do recipiente escolhido é uma frente que os elogios virão pela forma do recipiente. O artista, em seguida, coloca as suas competências pessoais Frente Visual de uma forma que coincide com a Frente do vaso.

 

Alívio Frontal: Devido à pobre estilização do bonsai terá apenas uma única visão, que é visualmente aceitável. Estes bonsai são como esculturas em relevo que têm apenas uma única opinião que é agradável, eles praticamente desaparecem quando virado lateralmente. Bonsai Frente Socorro frequentemente são como uma boa fotografia e são considerados bons por muitos por causa da única perspectiva que apresentam. Porém, como vou explicar em detalhe a seguir, esses bonsai falham quando exibido na mostra.

 

Foto Frontal: Filme estrelas e outras celebridades, sabe-se que eles têm um lado que as melhores fotografias e ir para grandes comprimentos para garantir que todas as imagens são tomadas a partir deste ângulo lisonjeiro. Embora esta seja uma boa prática e não pode ser condenado, o óbvio deve ser lembrado também, se estas estrelas só tinham um lado bom, eles certamente não seriam estrelas. É preciso dizer também que o lado que uma pessoa pensa que é melhor pode não ser o lado melhor  que os outros acham que o seja.

 

Frente Visual: Esta é a frente que mais bonsaistas escolhem quando estilizam um planta, fotografando, ou mostrando um bonsai. É uma combinação de algumas ou de todas as outras frentes. Esta frente é a preferência do artista, a única perspectiva que pensa ser a melhor. É a frente que pretendem destacar, nos seus esforços para estilização.

 

Onde é que a ideia de uma Frente única foi originada?

Os chineses criaram originalmente paisagens (Penjing) que eram muito grandes, algumas representavam impérios, de modo que para visualizá-las na sua totalidade, teria que andar em volta delas para ver tudo, daí que eles eram como modelos em escala que eram visualmente agradável de todos os ângulos. Criações de Penjing, as vezes recriando paisagens reais, como as lendárias ilhas de Penglai e fê-lo com notável detalhamento.

 

Quando o bonsai foi introduzido pela primeira vez no Japão era assim Saikei, miniatura de paisagens, uma vez que eram muito populares, mas, em seguida, eles foram esquecidos como o Tokonoma (Arte Alcove) e do bonsai exibido lá ganhou palco central. Saikei foram esquecidas, mas a idéia viveu em jardins japoneses, como o famoso jardim seco “, Ryoan-ji”, que contém 15 pedras. A coisa notável sobre a composição em “Ryoan-ji” é que nem todo ele pode ser visto pelo espectador a partir de qualquer um ângulo de visão. Este jardim é concebido para ser diferente de todos os ângulos, para ser visto por mais de uma posição.

 

O Tokonoma no Japão é o principal motivo para a crença prevalente hoje que um bonsai deve ter uma única frente que está perfeitamente posicionado para visualização. O pensamento de que uma única frente só é exibido em um Tokonoma é um vicio, porém, vou entrar em detalhes posteriormente neste artigo.

Permitam-me declarar aqui que é difícil imaginar que os japoneses, que criaram esses notáveis e tridimensionais jardins, iriam abandonar este modo de visualização de uma beleza única bidimensional única frente de um bonsai. Os japoneses são famosos por terem bonsai em seus jardins e estas criações são extraordinárias, na medida em que são, na verdade, visualmente agradável, não importa onde pode estar no jardim. Penso que esta maneira de pensar realmente repercute no bonsai exibido em um Tokonoma.

 

Será que todos veem a mesma frente?

Tome um mundo de classe de bonsai; fotografia é de seis ou oito ângulos diferentes e em seguida, alinham-se estas imagens e mostram para dois grupos distintos de pessoas. Um grupo seria composto por experientes bonsaistas e o outro grupo constituído por pessoas que são apenas consciente sobre bonsai, aqueles que sabem o que é um bonsai, que talvez tenham visto através de um show ou uma revista com fotos.

Agora pedimos cada membro de ambos os grupos para selecionar a parte da frente do bonsai. Peço-lhes que anotassem sua escolha, e não partilhar os seus pensamentos com os outros.

 

Bonsai e fotografias por Walter Pall

Bonsai e fotografias por Walter Pall

  

Tenho feito isso informalmente com fotos de Walter Pall do Junipero acima e os resultados foram surpreendentes.

O primeiro grupo constituído por todos os experientes bonsaistas não selecionaram uma única frente. Ao invés, a cerca de seleções foram distribuídas uniformemente na direção de três a seis vistas apresentadas, mas não foi vista como demarcado a frente. Surpreendentemente, a maioria não estava com a frente que Walter acabou por optar pela utilização de fotografias.

 O que isso nos diz? Ela nos diz que cada telespectador tinha experimentado uma maneira diferente de ver as coisas, as diferentes preferências que foram desenvolvidas individualmente com base em experiências que a pessoa tem. A melhor perspectiva que ele vê é o que traz o melhor do bonsai para eles, o que melhor lhes diz o bonsai com base em sua formação, a compreensão da arte, e aquilo que lhes agrada.

O segundo grupo ficou ainda mais interessante, foram as perguntas que variou de, “O que você quer dizer por uma frente” para “Ah, eu pensei que eles eram todos árvores diferentes.”

Este segundo grupo, constituído por pessoas inexperientes teve resultados que foram notáveis mesmo para cada frente possível. Não houve realmente preferência significativa por qualquer dos pontos de vista, a maioria pensava todos eram bons e tinham um período difícil para escolher uma única frente.

Como suspeita, a fixação em uma única frente é mais limitada a experimentados bonsaistas e, muito provavelmente este prevalece porque esta é a forma como eles foram ensinados e não porque se trata de algumas imutáveis lei de bonsai.

 

Desenhos, Pintura, Fotografia e deturpar Bonsai.

Muitos recém-chegados a ver a arte do bonsai, a maioria, se não a totalidade do seu primeiro bonsai, pretende instruir-se em livros. Embora esses livros tem um lugar valioso e servem para difundir conhecimentos para o curioso, todos eles tem em comum uma falha básica.

 Os desenhos, ilustrações e imagens de todos esses livros são bidimensionais. O artista ou um fotógrafo cuidadosamente seleciona um único ponto de vista do bonsai a ser fotografado com grande cuidado, sendo certo para captar a uma fatia de todo o que consideravam ser a melhor. Dos 360 graus de um bonsai, apenas 1 grau é mostrado. Isto é o que eu chamo de foto frontal.

Para os inexperientes, este retrata uma falsa visão de bonsai. Todos nós ouvimos muitas pessoas afirmarem que, depois de ser aclimatados ao bonsai em livros, que não podia acreditar quão grande elas realmente eram, na realidade. Este mesmo tipo de equívoco também acontece com os aspectos tridimensionais do bonsai. Até uma pessoa vê um bonsai de qualidade de perto, o papel que todas as outras faces de um bonsai tem, quando vê em uma pessoa, não é aparente.

O novato vê os exemplos retratados em livros, fotografias, desenhos, pinturas, e outros dois espaços tridimensionais e tentativa de repetir o que eles vêem. Baseando os seus esforços em uma única vista de um bonsai, uma visão bidimensional, tomam as suas ações e estilo em apenas um lado, a única frente falou muitas vezes nos livros, e eles acabam com exatamente o que estavam a duplicar, um dimensionalmente estilo de bonsai que carece de profundidade e real que só é agradável visualmente a partir de uma única visão estreita.

 Esta é a forma como muitos de nós aprendemos bonsai. Através de livros, internet, revistas, pinturas, desenhos, e até manifestações onde o artista realiza e  teve uma única frente, apenas, tal como eles foram ensinados a fazer.

Mantendo essa opinião, temos de perceber que finalmente estilizar um bonsai de uma foto frontal só é bom se você nunca mostra o plano de bonsai em que vivem em uma definição. A foto frontal para a fotografia só é aceitável e não oferece visualmente agradável vista em qualquer outro local, como veremos a seguir.

 

Bonsai e Bonsai de Fotografia não são a mesma coisa.

Com a popularidade do bonsai na Internet, em várias revistas de bonsai, e um aumento concursos para bonsai com foto, vimos mais bonsai do que muitos dos mestres no passado pode ter visto em um ciclo de vida.

Não estamos melhor que eles, porque o que vemos nestes locais é estritamente bonsai bidimensional, fotografias que só podem mostrar um grau de trezentos e sessenta graus da peça de arte. Estas fotografias, enquanto uma forma de arte por si só, não pode, até mesmo os trechos selvagens da imaginação, ser chamado bonsai. Como qualquer outra forma de fotografia, que captura uma fatia do todo e não pode por si só ser chamado bonsai arte mais do que qualquer uma fotografia de uma Frank Lloyd Wright edifício pode ser chamado arquitetura, ou uma pintura de Magritte um tubo pode ser chamado uma canalização.

Bonsai, estando estreitamente relacionada com a escultura, partilha muitos dos mesmos atributos, e também muitas das mesmas limitações. A pintura pode ser fotografado, sendo um objeto bidimensional e muitas qualidades do original são mantidas na imagem. No entanto, quando um bonsai ou escultura é fotografado, você deixa de fora trezentos e cinqüenta e nove graus do que o faz o que é.

Este fato é realizado por muitas das principais revistas de bonsai e shows ao redor do mundo. Chamam seus concursos “foto concursos” e não “bonsai concursos” precisamente por este motivo.

 

A falácia da Frente Única em um Show.

Na revista Na revista Bonsai today, na página 51, em um artigo de Marco Invernizzi intitulado “Transformar um Pinho escocês ” Marco diz: “Alguma vez você já se perguntou por que razão amantes do bonsai japonês em exposições de bonsai não se observa apenas a frente da árvore? Eles querem vê-los de todos os lados, e muitas vezes você irá encontrá-los ocupados sob um bonsai tentando ver todos os detalhes. ” Ele passa a dizer: “A verdadeira beleza do bonsai pode ser encontrado nos detalhes e na naturalidade do plantio. Às vezes, na nossa paixão para ver os resultados, acabamos com uma árvore que tem todos os seus ramos e folhagens dispostos a ser visualizada apenas a partir da frente. Logo que você olha para outro ângulo, é possível ver grandes lacunas ou ramos emaranhados. ”

 Marco faz um ponto muito válido aqui, ele percebe que, independentemente daquilo que temos como  frente para tentar forçar a visualização do público, eles vão ver o que eles querem ver a partir do ângulo com que são mais confortáveis. Podemos ter um único estilo para frente como todos nós queremos, mas a verdade é que o público vai ver e procurar para ver múltiplas frentes.

 Na ilustração abaixo eu produzi um diagrama visto de cima, da típica configuração em uma mostra onde o bonsai é colocado sobre uma longa mesa com os outros.

Este banco é normalmente fixado contra uma parede de fundo ou que serve o propósito de manter a visão limitada à frente do motivo. Tenho também diagramado da Frente Visual que a maioria dos artistas estilizam, bem como a visualização ao caminho real e pontos de vista dos espectadores.

 

Como podemos ver, o esforço do bonsaista para limitar a visualização para a Frente Visual única falha miseravelmente em um show. O bonsai é visto de muitos ângulos, que pode ou não incluir o que o artista criou para ser o visual dianteiro. Temos também de ter em consideração que as bancadas em um bonsai show são todas da mesma altura, geralmente não alto o suficiente para estar no ” nível do olho ” em que é comumente ensinado que devemos realçar nosso bonsai. Na verdade, os bancos geralmente são criados abaixo desta visualização. Devemos lembrar também que a visualização em todos os espetáculos é em diferentes alturas. Elas vão desde a acima da média de altura para a curta. É impossível exibir o bonsai no exato nível do olho em que muitos artistas otimizariam a visualização.

Na ilustração abaixo eu mostro dois diferentes frentes visuais, a Frente visual que o artista escolheu, e assumiu que iria sempre ser visto, e as reais Frentes Visuais vista por uma pessoa de altura média em um show típico de bonsai.

 

Ilustração por Will Heath

 

Como podemos ver claramente, o ângulo do bonsai foi denominado de não existir na realidade, que só existe nos livros e na mente do artista. Para que o bonsai seja visualizado no seu melhor, elas precisam ser visualizados a partir de vários ângulos, pois eles precisam de ser visualmente agradável a partir de mais do que apenas uma única, visão estreita. Como escultura, bonsai deve ser visualmente agradável de todos os lados.

Agora, vamos olhar para um tipo diferente de mostrar como a configuração foi utilizado em um museu aqui. Pessoalmente, acredito que mostra como esta se tornará mais e mais prevalente com o passar do tempo e, como artistas começam a mostrar os seus talentos no criar bonsai que são visualmente agradável de todos os lados.

No bonsai ganha o seu legítimo lugar como uma forma de arte, mostras em museus e locais semelhantes vão se tornar mais comum e, enquanto isso acontece, a frente como sabemos vai desaparecer progressivamente.

Na ilustração abaixo eu mostro uma vista de topo, aqui, o visual dianteiro perde todo o significado que não existe absolutamente nenhuma maneira de forçar um visualizador para que utilizem apenas um ângulo estreito de visualização. Nesse ecrã, não existe realmente frente, exceto que, na mente do artista. Todos os lados podem ser vistos de forma igual e, portanto, para ter êxito, todos os lados devem ser visualmente agradáveis.

Ilustração por Will Heath

 

Em outra ilustração abaixo mostra que o ângulo de visão de um monitor quando a Frente Visual não tem sentido a todos e quando a altura de ver que temos sido ensinados a perde também o estilo em todos os valores. É fácil ver que a única frente como fomos ensinados a encontrar e desenvolver é realmente um mito.

Ilustração por Will Heath

 

O mesmo se verifica quando um problema inerente ao bonsai é exibido em um tradicional Tokonoma. Embora originais Tokonoma  foram construídos para apresentar um bonsai a um nível visualizado a partir de uma posição de uma pessoa sentada no chão, o visual apresentado ainda era muito variável devido ao fato de que não foram exibidos dois bonsai no Tokonoma à mesma altura. Na ilustração abaixo eu mostro que, como qualquer outra forma de exibição, o Tokonoma poderia ser, e mais provável era, vista de muitos ângulos diferentes. A verdade é que, se uma pessoa visualiza o bonsai parado sobre a altura exata, várias frentes foram necessários, para uma boa visualização. 

 

Ilustração por Will Heath

 

 

O mito é mostrado.

Como a fada dos dentes, o Coelhinho da Páscoa, e Papai Noel, mais cedo ou mais tarde todos nós temos de vir a ocupar com a realização de que o que nos foi dito e aquilo que se tem afirmado como verdade, muitas vezes, simplesmente não é verdade.

A única frente que tem sido ensinado em livros, na internet, e defendido por muitos praticantes de bonsai simplesmente não existe em nenhuma maneira exceto na mente de alguns bonsaistas. Ela não tem lugar no mundo do bonsai e ele não serve para nada fora da arte da fotografia.

O fato é que esta ideia é apenas realizada por bonsaistas e nem sequer é considerada pela maioria da população que pode ver bonsai em galerias, arboretums, jardins, mostras, ou em outros locais. Para estas pessoas, não há frente, não é apenas um bonsai tridimensional, que pode ser visualizado a partir de qualquer ângulo ou posição em que acontecerá ao entrar em toda ela.

Nós, como artistas, necessitamos deixar para trás este conceito e estilo de nossas criações para ser visualizado na própria forma que eles serão, na volta, em três dimensões.

A Desfolha – Uma Entrevista com Carlos Tramujas

A Associação Paranaense de Bonsai, na pessoa de seu presidente Elio Nowacki, conduziu uma entrevista exclusiva para a revista A Arte Bonsai com o bonsaísta Carlos Tramujas, sobre um assunto importante no desenvolvimento de nossos bonsai que é a desfolha. Profunda e técnica, representa um importante acréscimo ao conhecimento de bonsaístas de todos os níveis. 

 

APB: A desfolha é um dos assuntos que gera informações controversas. Você acha que este assunto merece uma melhor atenção por parte dos bonsaístas? 

 

 

Carlos Tramujas: Acho importante num primeiro momento definir o termo “desfolha”, que nada mais é do que a retirada das folhas de uma árvore através de métodos mecânicos e manuais ou químicos. Este processo poderá ser total ou parcial conforme a necessidade ou o objetivo que queremos alcançar. O método manual consiste na eliminação das folhas com tesouras, pinças desfolhadoras ou até mesmo as mãos e é o método que utilizamos usualmente no cultivo do bonsai. No caso da desfolha química, utilizam-se certos produtos como, por exemplo, a própria uréia em altas concentrações. É um método para se trabalhar com um grande volume de plantas e que deverá ser aplicado sempre com muito cuidado, dependendo do produto utilizado e da espécie em questão.

 

 

A desfolha sem dúvida é uma das técnicas utilizadas no bonsai que merece muita atenção. Normalmente as pessoas que estão iniciando na arte, têm um certo receio em realizá-la, até por ainda não terem muita intimidade com as plantas. Para quem não está familiarizado com o assunto, arrancar todas as folhas de uma árvore pode parecer um tanto agressivo, além de gerar dúvidas com relação à integridade da planta. Espero poder esclarecer aqui os principais pontos relacionados

 

APB: Quais os principais motivos que devem levar alguém a fazer desfolha? 

 

 

Carlos Tramujas: Realizamos a desfolha com as seguintes finalidades:

 

 

 - Reduzir o tamanho das folhas da árvore.

Um dos objetivos principais da desfolha é a redução do tamanho das folhas, com a finalidade de obtermos resultados mais harmônicos e proporcionais, principalmente quando trabalhamos com bonsai de pequeno e médio porte. Como normalmente a desfolha é feita no verão onde o vigor da brotação é inferior ao que ocorre na primavera, as folhas se desenvolvem naturalmente menores. Após alguns anos consecutivos utilizando o método da desfolha é possível conseguirmos folhas com um tamanho até vinte vezes inferior ao tamanho das folhas de plantas cultivadas no campo, por exemplo.

 

 

- Aumentar a ramificação dos galhos.

O aumento da ramificação dos galhos é resultado do estimulo das gemas dormentes e que estão presentes nas axilas das folhas. Quando retiramos as folhas, estimulamos diretamente o desenvolvimento destas gemas e muitas delas se transformam em novos e pequenos galhos. Para aumentar a probabilidade destas gemas dormentes se desenvolverem, devemos eliminar a extremidade do galho que foi desfolhado, pois desta forma inibiremos o seu crescimento apical, estimulando o desenvolvimento dos brotos localizados na parte interior. Do contrário, se não eliminamos a ponta do broto ou do galho, a força de crescimento irá para sua extremidade fazendo com que cresça em extensão, desenvolvendo desta forma, folhas ainda maiores o que inibirá a brotação na parte interna. Devemos lembrar que quanto maior a ramificação secundária e terciária da árvore, maior será a tendência desta planta em produzir folhas menores. 

 

 

- Estimular o crescimento de certas regiões da planta, inibindo o desenvolvimento de outras.

Utilizamos também a desfolha para favorecer o crescimento em algumas zonas da planta, restringindo ao mesmo tempo o crescimento em outras partes, para desta forma equilibrarmos o desenvolvimento da planta como um todo. Se por exemplo, queremos engrossar um galho de um Acer, quando realizamos a desfolha, eliminamos as folhas de toda a planta, menos do galho que queremos engrossar, desta forma, esta região da planta continuará crescendo continuamente, enquanto o resto da planta, ficará com o crescimento parado, até que se inicie a nova brotação. É muito comum utilizarmos este tipo de desfolha quando queremos corrigir o diâmetro do ápice, quando este é demasiado fino em relação ao restante do tronco.

 

 

- Troca das folhas em árvores de folhas perenes, eliminando as folhas velhas, danificadas, e com o aspecto feio.

A desfolha neste caso serve para melhorar a estética da árvore, e é utilizada no caso de árvores com folhas perenes, ou seja, que não perdem as folhas no outono. Os ficus em geral são um bom exemplo, já que não perdem as folhas e normalmente no final do inverno, estas, apresentam um aspecto feito e amarelado. Nestes casos, é muito conveniente trocarmos as folhas todas da árvore, para obtermos uma folhagem nova.  

 

 

- Acentuar a coloração outonal em árvores de folhas caducas.

Um dos motivos pelo qual desfolhamos as árvores de folhas caducas é para acentuar a coloração outonal, assim como para garantir uma permanência maior das folhas na planta. Se mantivermos as folhas do crescimento primaveril, muitas vezes ao passar pelo verão as folhas ficam levemente queimadas e quando chegam no outono, elas secam parcialmente ao invés de assumirem a coloração outonal. Do contrario, se fazemos a desfolha no verão, as folhas chegam no outono, muito mais bonitas e vigorosas, tendo mais condições de assimilarem os açucares necessários para a mudança de cor.  

 

 

- Realizar aramações durante o verão com a finalidade de refinar a estrutura da árvore.

Quando desfolhamos as árvores no verão, podemos aramar sem problemas, primeiro porque a ausência total de folhas facilita muito a colocação do arame principalmente sem danificar brotos jovens e gemas e segundo porque o crescimento a partir da nova brotação que muitas vezes ocorrerá no final do verão, já não é tão intensa, o que propiciará que o arame fique muitas vezes até o final do inverno.

 

APB: Sabemos que muitas espécies não aceitam a desfolha. Poderia nos exemplificar? E porquê?

 

 

Carlos Tramujas: Existem duas situações básicas em que não realizamos a desfolha, a primeira delas é quando a espécie não necessita, ou seja, já apresentam folhas com um tamanho bastante reduzido, como é o caso da Serissa, do Cotoneaster, ou da Lonicera. Nestes casos a aplicação desta técnica é inviável, primeiro pelo trabalho exaustivo e depois pelo pequeno resultado obtido. A segunda situação está relacionada com a dificuldade que algumas espécies apresentam em brotarem após a eliminação total das folhas. Como experiência pessoal posso comentar que, sem dúvida, podemos aplicar esta técnica na grande maioria das árvores que são trabalhadas como bonsai, principalmente se aplicamos a técnica de uma maneira correta e respeitando sempre a integridade da árvore.

 

 

Ao longo dos meus anos dedicados à arte do bonsai, posso dizer que já desfolhei quase todas as espécies que passaram pelas minhas mãos, com resultados bastante satisfatórios. Não posso deixar de comentar sobre as espécies de coníferas em geral, como o caso dos Juniperus, Pinus e Chamaecyparis entre tantas outras, que não aceitam a aplicação da desfolha, com o risco de perdermos a planta. Por outro lado, a grande maioria das caducifólias suporta bem esta técnica, com poucas exceções, como é o caso do Ginkgo biloba,  que apresenta uma brotação falha após a aplicação da técnica. Mesmo no Acer palmatum atropurpureum, por exemplo, que é freqüentemente citado na literatura como uma espécie que não tolera a  desfolha,  pela  dificuldade  que   apresenta  em desenvolver suas gemas dormentes, tenho aplicado a desfolha com muito sucesso.

 

Já as pitangas, jabuticabas, e outras mirtáceas toleram perfeitamente a aplicação desta técnica. A conclusão a que chegamos com relação a esta técnica é que a medida em que adquirimos mais experiência dentro da arte e desejamos cultivar bonsai com mais intensidade, a desfolha se torna indispensável.

 

APB: No caso das caducifólias, devemos fazer a desfolha se elas por si próprias não se desfolharem na época propícia? 

 

 

Carlos Tramujas: Este já é outro caso. Como comentei anteriormente, podemos ter como referência de melhor época para realizarmos a desfolha, meados do verão, ou seja, Janeiro e Fevereiro, pois nesta época as árvores têm reservas suficientes para brotarem, mas não com o mesmo vigor da primavera. Na realidade quando fazemos a desfolha no verão, induzimos a planta a pensar que está diante de uma nova primavera. No caso da sua pergunta em específico, realizaremos a desfolha, só que na época de perda normal das folhas, ou seja, na entrada ou entre o outono. Isto se faz necessário quando cultivamos árvores caducas em regiões onde o inverno não é rigoroso o suficiente para fazer as plantas entrarem em dormência. Em alguns casos as árvores cultivadas nestas condições perdem apenas parte das folhas, e o restante deve ser eliminado manualmente. Este processo ajuda um pouco na adaptação da árvore, mas sem as horas de frio suficientes, dificilmente esta planta se desenvolverá em sua plenitude, como, por exemplo, apresentando as bonitas colorações outonais.

 

APB: E a desfolha parcial para incentivar a brotação. Poderia nos esclarecer? 

 

 

Carlos Tramujas: A desfolha parcial já foi comentada anteriormente, e é uma das maneiras de estabelecermos um equilíbrio na harmonia entre todas as zonas da árvore. Podemos utilizá-la para engrossar um primeiro galho, por exemplo, deixando-o crescer a medida em que desfolhamos o restante da planta, ou mesmo para engrossar o ápice no caso de uma poda radical com a substituição do líder. O importante a entendermos no caso da desfolha parcial, é que o elemento da planta que continuar com folhas, seja o galho, o ápice ou mesmo um pequeno broto, ele será privilegiado em crescimento, em relação ao restante dos elementos que formam a estrutura da árvore e que foram desfolhados.

 

 

Quando falamos em desfolha parcial total da planta, nos referimos na eliminação de uma certa porcentagem da massa verde, para facilitarmos a ventilação e a entrada do sol, como no caso das Bougainvilleas (Primaveras) que brotam com muito vigor, formando massas de folhas demasiadamente densas e compactadas. É importante nestes casos eliminarmos as folhas velhas e grandes e tentarmos fazer com que a copa da árvore respire melhor. Desta forma também prevenimos que os pequenos brotos situados no interior da árvore não  sequem por falta de luz. Esta operação é considerada mais uma limpeza do que propriamente  uma desfolha. 

 

APB: Mesmo considerando que nosso país tem dimensões continentais, Carlos, dá para formular uma regrinha sobre desfolha com relação às épocas?

 

 

Carlos Tramujas: Se entendermos o processo, podemos realizar a desfolha, mesmo sem olharmos para o calendário. O primeiro que devemos observar é que as folhas estejam realmente maduras, ou seja, no máximo do seu tamanho natural e desenvolvimento. O segundo ponto está em observarmos o crescimento geral da planta. O momento da desfolha é justamente entre uma fase de crescimento e outra. Isto pode parecer confuso, mas é fácil de entendermos se observamos, por exemplo, o crescimento de um Acer que começa a se desenvolver com vigor na primavera, onde os brotos podem atingir mais de um metro se deixados crescerem livres. 

 

Após este período de brotação intensa, a planta para de crescer por um período, como se estivesse descansando, isto ocorre normalmente no final da primavera e continua até praticamente a metade do verão, onde reinicia seu crescimento, só que desta vez com menos vigor e intensidade.

 

O ponto correto para realizarmos a desfolha é momentos antes da planta reiniciar esta segunda fase de crescimento. No caso do Acer e das caducifólias em geral é mais fácil identificarmos esta situação, mas com um pouco de prática passaremos também a identificar nas demais espécies. Estes “melhores momentos” é que definem a quantidade de desfolhas que podem ser realizadas durante o ano, sem estressar demasiadamente as plantas. As bougainvilleas, por exemplo, podem facilmente ser desfolhadas duas ou até três vezes ao longo do ano, principalmente em regiões com climas favoráveis e sem invernos definidos. Como regra básica para quem esta começando, a metade do verão sem dúvida, é o melhor momento. Outro conselho é que comecem apenas com uma desfolha por ano independente da planta, até conhecerem melhor as espécies com que estão trabalhando no momento.

 

APB: Planta debilitada ou doente, pode ser desfolhada? 

 

 

Carlos Tramujas: Este é um dos principais comentários a ser feito nesta entrevista. Não adianta de nada conhecermos as técnicas em profundidade, aplicá-las corretamente, se nossas árvores não tem condições de suportá-las. A desfolha jamais deverá ser aplicada em plantas debilitadas, fracas ou mesmo doentes, com risco de perdermos galhos inteiros e até mesmo a planta toda. A recuperação da planta após a eliminação total das folhas requer uma energia muito grande, portanto devemos antes de fazer a desfolha estarmos atentos para três pontos importantes:

 

O primeiro está relacionado com a adubação, pois se adubarmos a planta no momento da desfolha, existe a probabilidade das folhas novas virem ainda maiores que as anteriores. Para evitarmos esta surpresa é conveniente realizarmos a ultima adubação duas ou três semanas antes de desfolharmos, sendo que voltaremos a adubar se for necessário, somente depois do amadurecimento completo das folhas novas. 

 

 

O segundo ponto diz respeito à aplicação da desfolha na época mais adequada, principalmente em regiões com estações definidas, com é o caso do sul do Brasil. Se desfolharmos muito tarde nestas regiões, a planta não terá capacidade de brotar antes de entrar no outono e enfraquecerá bastante. 

 

 

O terceiro ponto está diretamente relacionado com os cuidados básicos após a desfolha. Não devemos esquecer que a absorção de água pelas plantas com a ausência total de folhas é muito pequena ou quase nula, portanto é conveniente também controlarmos a freqüência da rega, deixando que o substrato seque levemente entre uma rega e outra. Após a brotação, voltaremos a regar de forma normal. O excesso de água no momento da brotação também poderá aumentar significativamente o tamanho das folhas. O sol é um redutor natural do tamanho das folhas, portanto o melhor após a desfolha é colocarmos a planta a pleno sol, se por acaso for uma espécie mais sensível, deveremos protegê-la apenas nas horas mais quentes do dia. Plantas cultivadas em ambientes sombreados têm naturalmente as folhas maiores do que aquelas cultivadas a pleno sol. Se por acaso temos uma planta doente ou debilitada, deveremos sempre em primeiro lugar recuperar esta planta, antes de aplicarmos qualquer tipo de técnica de poda ou de modelagem.

 

 

APB: Cronologicamente, desfolha, aramação, poda de raízes e transplante podem ser feitos num mesmo momento? 

 

 

Carlos Tramujas: Podem em algumas espécies, desde que sejam previamente preparadas para agüentar isso tudo de uma só vez. Como a maioria das desfolhas são realizadas em pleno verão, este sem dúvida não seria o melhor momento para transplantarmos, mas o que podemos fazer sem dúvida é passar um bom arame. As espécies de Ficus em geral toleram a aplicação destas operações simultaneamente. Na Espanha, onde trabalhei, os Ficus eram desfolhados, aramados e transplantados de uma só vez e durante o pleno verão. Os motivos principais são, que a brotação da primavera como é mais intensa resultava em brotações muito vigorosas e, portanto com folhas muito grandes.

Outra coisa é que ajudava também a aliviar um pouco o excesso de tarefas com as demais espécies na entrada da primavera. As técnicas de desfolha e aramação quase sempre devem caminhar juntas, uma complementando a outra. 

 

APB: Carlos, muito se fala em desfolha manual ou cortando a folha com tesoura preservando o pecíolo. Poderia nos esclarecer esse assunto? 

 

 

Carlos Tramujas: A desfolha com a pinça desfolhadora ou mesmo com a tesoura é muito trabalhosa, principalmente em árvores grandes e frondosas e muitas vezes durante o processo dá vontade de arrancarmos as folhas com as mãos para terminarmos de uma vez.

 

Antes de comentarmos sobre plantas específicas, devemos entender o que nos leva a optar por um método ou por outro. Sempre o método manual, arrancando as folhas com os dedos será o mais fácil e o mais rápido, mas para aplicá-lo com segurança, antes devemos observar as gemas dormentes nas axilas das folhas (ponto de inserção do pecíolo no galho) e fazermos um teste. 

 

 

Arrancamos algumas folhas isoladamente e observamos o estado em que ficou a gema dormente. Em algumas situações quando arrancamos uma folha, a gema se destaca do galho e acaba saindo junto com ela, presa ao pecíolo, em outros casos, apesar da gema permanecer no galho fica muito danificada. Um dos fatores de extrema importância que ajuda a minimizar estas dificuldades é que sempre devemos levar em conta o sentido em que arrancamos as folhas e este deverá ser sempre no sentido da extremidade do galho.O Acer palmatum é uma espécie que devemos desfolhar sempre utilizando a tesoura, pois suas gemas são muito sensíveis. A maneira correta de fazermos é cortarmos os pecíolos das folhas pela metade, sendo que depois de alguns dias, estes cairão sozinhos. 

 

 

No Acer buergerianum, por exemplo, a desfolha pode ser manual, e o que fazemos é fecharmos a mão na base do galho com uma leve pressão e puxamos em direção a sua extremidade, arrancando desta forma todas as folhas. Se por acaso não saírem todas, no final do processo repassamos galho por galho eliminando as que permaneceram, mas sempre prestando a atenção no sentido em que as arrancamos. Com os ficus em geral podemos proceder da mesma forma, assim como com as jabuticabeiras, pitangueiras, ulmus e muitas outras espécies.

 

 

APB: Bem, acho que tivemos uma verdadeira aula sobre desfolha que, com certeza, estará ajudando em muito a todos nós praticantes dessa nobre arte. Muito obrigado Carlos.

 

 

Carlos Tramujas: Gostaria de aproveitar a oportunidade para dar os parabéns ao Eduardo Campolina pela belíssima iniciativa de divulgar a arte do bonsai através desta revista digital. Espero em outros momentos poder voltar a dar a minha contribuição.