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Estaquia e alporquia, multiplicando…

ESTAQUIA 

A propagação vegetativa por estacas consiste em destacar da planta original um ramo, uma folha ou raiz e colocá-los em um meio adequado para que se forme um sistema radicular e, ou, desenvolva a parte aérea. A propagação por estacas baseia-se na faculdade de regeneração dos tecidos e emissão de raízes.

Dentre os métodos de propagação vegetativa, a estaquia é, ainda, a técnica de maior viabilidade econômica para o estabelecimento e plantio clonais, pois permite, a um custo menor, a multiplicação de genótipos selecionados, em curto período de tempo. Além disso, a estaquia tem a vantagem de não apresentar o problema de incompatibilidade que ocorre na enxertia (Paiva e Gomes, 2001).

 

 As estacas herbáceas são obtidas de ramos apicais, sua retirada deve ser feita pela manhã, quando ainda estão túrgidas e com níveis mais elevados de ácido abscísico e de etileno, que são elementos favoráveis ao enraizamento (Simão, 1998).

As estacas lenhosas são obtidas de ramos lenhosos ou lignificados, com idade entre 8 e 15 meses e encontram maior campo de aplicação que as herbáceas e, quase sem exceção, constituem-se no material básico de propagação de árvores frutíferas (Simão, 1998), ainda segundo este autor, os principais tipos de estacas lenhosas com suas características são:

* Estaca simples

A estaca simples é obtida subdividindo-se o ramo em pedaços de 20 a 30 cm de comprimento. O diâmetro dessa estaca normalmente varia de 0,5 a 1,5 cm e cada uma deve possuir de 4 a 6 gemas.

Esse tipo de material constitui-se num dos mais efetivos, tanto pelo rendimento que oferece como na prática da estaquia.

 

* Estaca-talão

Difere da anterior por trazer consigo parte do lenho velho, que se denomina talão. É obtida destacando-se um ramo no ponto de inserção com outro de dois anos. É utilizada quando a espécie ou variedade apresenta dificuldade de enraizamento.

O número de estacas, neste tipo, é inferior ao das simples, pois só podem ser obtidas quando os ramos apresentam bifurcação.

 

* Estaca-cruzeta

Assemelha-se ao tipo anterior, porém, em vez de ser retirada com um pedaço de lenho velho na forma de pata de cavalo, é obtida secionando-se o ramo de dois anos, de modo a permitir maior porção de lenho. Apresenta o formato de uma cruz.

 

* Estaca-tanchão

É um tipo de estaca pouco comum, que apresenta comprimento que vaia entre 60 a 80 cm ou mais e diâmetro de 4 a 20 cm. É utilizada na multiplicação de jabuticabeira, no Brasil e de oliveira, nos países europeus. A presença de lenho velho na lingüeta favorece o enraizamento, por possuir raízes pré-formadas. O mesmo ocorre com as estacas de talão.

 

* Estaca-gema

O material de propagação é representado por uma única gema e é utilizado em casos muito especiais. Seu uso se restringe à multiplicação de material muito valioso ou quando não se dispõe de material em quantidade suficiente.

 

* Estaca-enxerto

As estacas de difícil propagação podem ter o seu enraizamento facilitado utilizando-a com garfo e a estaca de mais fácil enraizamento, como cavalo.

 

- Estacas subterrâneas

 

* Estaca-raiz

É um tipo de estaca pouco utilizado. Tem algumas aplicações em pessegueiro, goiabeira e caquizeiro. A melhor estaca é retirada de plantas com dois a três anos de idade. A época mais favorável é o fim do inverno e o início da primavera, quando as raízes estão bem providas de reservas. Ao plantá-la, deve-se manter a polaridade correta (Simão, 1998).

A estaca-raiz produz primeiro uma haste adventícia, sobre a qual ocorre o enraizamento. A polaridade é inerente aos ramos e raízes. A estaca forma o broto na posição distal e as raízes, na proximal.

 

Ø        Época de propagação

As estacas herbáceas, de ponteiro, são multiplicadas durante o ano todo, de preferência durante a primavera e o verão.

As lenhosas normalmente são empregadas após a queda das folhas, portanto, quando o ramo apresenta-se outonado. O enraizamento das estacas lenhosas está intimamente ligado às substâncias de reserva, daí a sua utilização durante o período de repouso vegetativo.

 

Ø        Preparo das estacas e da estaquia

As estacas são preparadas cortando-se os ramos de acordo com o tipo desejado. A parte superior é secionada a um ou mais centímetros acima da última gema e a parte inferior, em bisel, com uma gema do lado oposto ao corte.

A estaquia é feita em terreno preparado, e as estacas são fincadas no solo, de modo que apenas um terço permaneça exposto ou uma única gema, segundo o tipo de estaca utilizada. Exceção é feita para a estaca-gema ou semente, a qual requer os mesmos cuidados que os empregados na propagação de sementes.

Hoje, com o processo de nebulização, a propagação se tornou mais fácil e econômica. A nebulização mantém a umidade ao redor da estaca, diminui a temperatura, reduz a transpiração e a respiração, favorecendo o enraizamento (Simão, 1998).

 

Ø        Desenvolvimento Anatômico das Raízes nas Estacas

O processo de desenvolvimento das raízes adventícias nas estacas caulinares pode ser dividido em três fases: formação de grupos de células meristemáticas (as iniciais da raiz); diferenciação desses grupos de células em primórdios de raiz reconhecíveis. E desenvolvimento e emergência das novas raízes, incluindo a ruptura de outros tecidos do caule e a formação de conexões vasculares com os tecidos condutores da estaca (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

Ainda de acordo com esses autores, nas estacas de raiz, devem ser produzidos caules e, em alguns casos, raízes adventícias. Em muitas plantas as gemas adventícias formam-se com facilidade sobre raízes intactas. Nas raízes jovens, essas gemas podem originar-se no periciclo, próximo do câmbio vascular, podendo, no início, ter aspecto de primórdio radicular. Em raízes velhas, as gemas podem-se originar exogenamente num crescimento semelhante ao calo, originado de felógeno. Os primórdios de gemas também podem desenvolver-se de tecido caloso lesionado, que se prolifera dos extremos cortados ou das superfícies lesionadas das raízes.

 

Bases Fisiológicas da Iniciação de Raízes nas Estacas

 

* Substâncias de Crescimento nas Plantas

 

Para a formação de raízes adventícias em estacas, são necessários certos níveis de substâncias de crescimento natural na planta, sendo umas mais favoráveis que outras. Há vários grupos de tais substâncias, dentre eles as auxinas, as citocininas e as giberelinas. As auxinas são as de maior interesse no enraizamento de estacas. Além dos grupos citados, é provável que haja outras substâncias, de ocorrência natural, que desempenham alguma função na formação de raízes adventícias (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

A auxina de presença natural é sintetizada principalmente nas gemas apicais e nas folhas jovens e, de maneira geral, move-se através da planta, do ápice para a base (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

Dentre os compostos com atividades auxínicas têm-se o ácido indolacético, o ácido indolbutírico, o ácido naftalenoacético e o ácido 2,4-diclorofenoxiacético, comprovadamente indutores de enraizamento.

As citocininas são substâncias que estimulam a divisão celular e, quando em níveis relativamente altos, há formação de gemas; no entanto, inibem a formação de raízes.

As substâncias reguladoras de crescimento das plantas, que formam o grupo das giberelinas, parecem não ser necessárias para a formação de raízes adventícias e estacas caulinares. Ao contrário, os testes realizados em diversas espécies de plantas mostram uma inibição do enraizamento. É possível que o efeito inibitório das giberelinas no enraizamento de estacas seja causado pelo estímulo ao crescimento vegetativo, que compete com a formação da raiz (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

 

* Efeitos de Folhas e Gemas

É de grande importância no enraizamento de estacas, em virtude da produção de auxinas e de outras substâncias que atuam no enraizamento. Em algumas estacas a remoção das gemas reduz quase que por completo a formação de raízes. Ao remover um anel de casca, abaixo de uma gema, a formação de raízes é reduzida, impedindo o fluxo de substâncias promotoras, pelo floema, para a base da estaca.

Há muitas provas experimentais de que a presença de folhas em estacas exerce forte influência estimuladora da formação de raízes. Os carboidratos, resultantes da atividade fotossintética das folhas, também contribuem para a formação de raízes, embora os efeitos estimuladores de folhas e gemas se devam, principalmente, à produção de auxina (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

 

* Inibidores Endógenos de Enraizamento

As estacas de algumas plantas de difícil enraizamento não chegam a formar raízes, em virtude da presença natural de inibidores químicos. Em algumas plantas estes inibidores podem ser lixiviados, colocando-se as estacas em água corrente, aumentando assim a capacidade de enraizamento.

A maior ou menor capacidade de enraizar vai depender do balanço entre as substâncias promotoras e inibidoras do enraizamento, que, de modo geral, é muito variável entre as espécies (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

 

Ø        Fatores que Afetam a Propagação por Estacas

Dentre os vários fatores de que depende o enraizamento de estacas, destacam-se os ambientais, o estado fisiológico, a maturação, o tipo de propágulo, a sua origem na copa e a época de coleta, que influenciam, sobretudo, na capacidade e na rapidez de enraizamento (Gomes, 1987, citado por Paiva e Gomes, 2001). O sucesso, no entanto, depende de fatores internos e externos.

 

* Fatores Internos

 

- Espécie

A capacidade de emissão de raízes por um ramo é uma característica varietal, devido à interação de fatores inerentes, que se encontram presentes em suas células, bem como as substâncias produzidas pelas folhas, como: auxina, carboidratos, compostos nitrogenados e vitaminas. Portanto, a formação de raízes está associada à fisiologia, à química e à estrutura anatômica.

A macieira, cerejeira, pessegueiro e mangueira apresentam dificuldades de enraizar, devido à presença de inibidores de enraizamento. O tratamento com água aumenta a capacidade de enraizamento (Simão, 1998).

 

- Condição fisiológica da planta-mãe

Há consideráveis evidências de que a nutrição da planta-mãe exerce forte influência sobre o desenvolvimento de raízes e ramos (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

Estacas colhidas de uma mesma matriz e submetidas aos mesmos tratamentos respondem diferentemente quanto à taxa de enraizamento, em diferentes épocas do ano. Isto está diretamente ligado ao teor de carboidratos armazenados na matriz.

O teor de carboidratos na planta-mãe deve ser alto e o de nitrogênio baixo. O teor de fósforo e de potássio tem efeito menor sobre o enraizamento de estacas (Paiva e Gomes, 2001).

Os fatores que determinam a condição fisiológica são, ainda, relativamente desconhecidos, muito embora sejam fundamentais, principalmente no domínio da enzimologia para o controle do processo. Sabe-se, no entanto, que elevado nível de reservas com uma elevada relação C/N favorece o enraizamento, desconhecendo-se, todavia, o metabolismo dos carboidratos (Gomes, 1987, citado por Paiva e Gomes, 2001).

As reservas parecem ser indispensáveis à sobrevivência do propágulo até o enraizamento e posterior desenvolvimento. Mesmo nos casos em que há retenção das folhas pelo propágulo, as reservas a um nível conveniente facilitam a emissão de raízes e incrementam a fotossíntese. Acrescente-se que boa parte destas se transferem para a base da estaca, contribuindo para a formação de primórdios radiculares (Gomes, 1987, citado por Paiva e Gomes, 2001).

Em plantas com dificuldade de enraizamento, podem-se usar tratamentos para alterar artificialmente as condições fisiológica da planta-mãe ou de partes dela, por exemplo, o anelamento de ramos, que provoca aumento no nível de auxinas naturais acima do corte e diminuição abaixo (Paiva e Gomes, 2001).

 

- Idade da Planta-mãe

Estacas de plantas jovens enraízam melhor que as de plantas velhas. O rejuvenescimento, por meio de poda, favorece o enraizamento. Estacas de plantas jovens, procedentes de sementes, enraízam com maior facilidade que as estacas retiradas de plantas da mesma espécie, porém mais velhas (Simão, 1998).

Em plantas que se propagam facilmente por estacas, a idade da planta-mãe tem pouca importância, porém, em planas difíceis de enraizar, este fator é relevante. Em geral, estacas tomadas de plantas jovens (crescimento juvenil) enraízam com maior facilidade que tomadas de ramos mais velhos (crescimento adulto) (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

Pode-se dizer que quanto mais juvenil o material, maior será o sucesso do enraizamento, quer expresso em porcentagem, quer pela rapidez de formação e, ainda, pela qualidade das próprias raízes, bem como pela capacidade de crescimento da nova planta (Gomes, 1987, citado por Paiva e Gomes, 2001). O problema apresentado por material adulto é o aparecimento ou a produção de substâncias inibidoras do enraizamento.

 

- Época do ano

A época do ano, em alguns casos, pode exercer grande influência sobre o enraizamento das estacas. Para estacas de folhas caducas, as melhores épocas são o outono e o inverno e, para as de folhas persistentes, a primavera e o verão (Simão, 1998).

Para algumas espécies que enraízam com facilidade, a estacas podem ser colhidas em qualquer época do ano, enquanto para outras o período de maior enraizamento coincide com a estação de repouso ou com a estação de crescimento. Para cada planta específica é necessário que se determine qual a melhor época do ano para retirar as estacas, a qual está diretamente relacionada com a condição fisiológica da planta-mãe (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

 

- Tipo de estaca

O tipo de estaca pode também ser decisivo e deve-se usar o mais adequado. Com relação às estacas obtidas de ramos, a parte da copa onde é extraído o material não é indiferente quanto ao resultado do enraizamento. Por uma questão, normalmente, de maturação fisiológica, a base da copa é mais favorável que a parte superior para colheita (Paiva e Gomes, 2001).

Os ramos laterais parecem enraizar melhor e em maior número que os verticais e também apresentam o dobro de raízes que os vértices ou terminais. O enraizamento parece ser mais favorável às estacas da parte basal do ramo que as da parte superior, devido ao maior teor de amido (Simão, 1998).

 

* Fatores Externos

 

- Umidade

É fator de grande importância para o sucesso de um programa de propagação vegetativa por meio de enraizamento de estacas. A retirada das estacas deve ser feita sempre que possível pela manhã, quando estão ainda túrgidas e com maior teor de ácido abscísico e de etileno (Simão, 1998).

O ambiente seco favorece o ressecamento das estacas, reduzindo sua possibilidade de enraizamento. Umidade relativa mais alta, mantém as estacas túrgidas, favorecendo o seu enraizamento (Simão, 1998).

A presença de folhas nas estacas é um forte estímulo para a formação de raízes, porém a perda de água pela transpiração pode levar as estacas à morte antes que se formem as raízes. Alto grau de umidade relativa do ar é necessário para evitar o dessecamento das estacas (Paiva e Gomes, 2001).

Em espécies que enraízam com facilidade, a rápida formação de raízes permite que a absorção de água compense a quantidade perdida pela transpiração; porém, em espécies que enraízam mais lentamente deve-se reduzir a níveis bem baixos a transpiração pelas folhas, até que se formem as raízes. Para contornar o problema da transpiração, deve-se manter a umidade relativa do ar na região das estacas em torno de 80 a  100%, conservando-se assim a turgescência dos tecidos.

Pode-se obter esta umidade relativa com o uso de um sistema de nebulização, que proporciona a formação de uma fina película de água na superfície da folha, reduzindo assim, a transpiração e mantendo uma temperatura relativamente constante na superfície das folhas das estacas.

 

- Temperatura

A temperatura tem importante função regulatória no metabolismo das estacas, devendo fornecer condições para que haja indução. A flutuação da temperatura é prejudicial à sobrevivência das estacas (Bertoloti e Gonçalves, 1980, citados por Gomes e Paiva, 2001).

Temperaturas amenas, entre 12 e 27ºC, favorecem o aumento de carboidratos e o enraizamento das plantas. A estratificação das estacas a baixa temperatura inibe a formação de raízes e impede a brotação (Simão, 1998).

 

-  Luz

Interfere na produção de carboidratos, de ramos e nas suas características, pela sua intensidade, qualidade e fotoperiodismo (Simão, 1998).

A luminosidade fornecida às estacas durante o período de enraizamento é de fundamental importância na emissão de raízes. Portanto, deve-se fornecer às estacas com folhas luminosidade máxima, de forma a propiciar um máximo de fotossíntese, para que haja acúmulo de substâncias indutoras do enraizamento (Hartmann e Kester, 1976, citados por Paiva e Gomes, 2001).

Nas condições brasileiras, a intensidade luminosa geralmente precisa ser reduzida, protegendo a planta com sombrite (50%) ou ripados, para evitar a insolação excessiva das estacas (Paiva e Gomes, 2001).

 

- Substrato

O substrato, no qual são colocadas as estacas, influi no sucesso do enraizamento e vai depender do sistema de irrigação a ser empregado. O meio pode influir muito não só na porcentagem de enraizamento, como também na qualidade do sistema radicular que se forma (Paiva e Gomes, 2001).

Há diferentes tipos de substrato que podem ser usados de forma isolada ou em mistura com outros. Exemplos: vermiculita, turfa, serragem, areia, casca de arroz carbonizada, moinha de carvão, terriço (Paiva e Gomes, 2001), solo (mistura de terra, areia e matéria orgânica), perlita, esfagno, pedra-pomes (Simão, 1998) e diversas outras misturas destes constituintes.

Qualquer um desses materiais deve ser suficientemente firme e denso para manter a estaca até o enraizamento e ser poroso para favorecer a presença de oxigênio e permitir a percolação do excesso de água, livre de plantas daninhas, patógenos e nematóides.

 

 

FORÇAMENTO DAS ESTACAS

 

As estacas que apresentam dificuldades de enraizamento podem ser tratadas por meio mecânico e/ou fisiológico.

 

Ø        Mecânico

Os meios mecânicos consistem em: anelamento, incisões, torções e descascamento e possibilitam o acúmulo de auxinas e carboidratos, pelo bloqueio das translocações dessas substâncias e de outros fatores de promoção do enraizamento, bem como o aumento de células parenquimatosas e de tecidos menos diferenciados (Simão, 1998).

 

Ø        Fisiológico

Dentre os meios fisiológicos, temos: estiolação e reguladores de crescimento.

 

* Estiolação

Por definição, é a exclusão total de luz. Pode ser feita pelo uso de um adesivo escuro (preto) ou velcro nos ramos ainda presos à planta, por um período de 30 a 40 dias.

A estiolação aumenta o teor de amido, acentua a sensibilidade à auxina e reduz o teor de lignina e tem sido associada a mudanças de substâncias fenólicas e à presença de parênquima descontínuo, o que reduz a barreira mecânica oposta ao enraizamento (Simão, 1998).

 

* Reguladores de crescimento

Muitas plantas possuem quantidade suficiente de hormônio para a iniciação radicular, enquanto outras apresentam dificuldades para enraizar (Simão, 1998).

 

 

Alporquia

Passos simples

1- Com uma faca ou canivete afiado, faça dois cortes logo abaixo da última folha do tronco ou ramo escolhido. Retire a casca entre os cortes, tomando o cuidado de não danificar a parte interna do caule.
2- Logo em seguida, pincele a parte que foi descascada com um pouco de pó de hormônio enraizador (encontrado em lojas especializadas).
3- Prepare um pouco de esfagno ou substrato de coco que retenha a umidade bem, colocando-o na água e, depois, espremendo-o bem para retirar o excesso de água.
4- Amarre um plástico ao redor do caule, logo abaixo do corte, formando uma espécie de saco.
5- Encha o saquinho plástico com o esfagno umedecido, apertando-o bem ao redor do corte, de forma que fique totalmente coberto.
6- Feche o saquinho, amarrando-o com um barbante ao redor do caule. Para garantir a umidade interna, vede as extremidades amarradas com fita isolante impermeável.
7- Coloque o vaso sobre um prato com pedrinhas e água, mantendo-o num ambiente quente e úmido. Após algumas semanas, as raízes começarão a surgir através do esfagno. Retire, o plástico e corte o caule logo abaixo da bola de esfagno, usando uma tesoura de poda e fazendo um corte horizontal.
8- Prepare um novo vaso com uma mistura de solo adubado e plante a nova muda imediatamente. Mantenha o esfagno no local, para não danificar as novas raízes. Regue em seguida.

Neste método, o pedaço de um ramo é envolvido por terra ou musgo em um pedaço de plástico ou pano umedecido. Após algum tempo, formam-se as raízes, e o ramo pode ser destacado para ser plantado. Para que o método seja efetivo é necessário interromper o fluxo descendente da seiva, mediante retirada prévia de um anel da casca da planta ( anel de Malpighi ) ou colocando um anel de arame metalico no local desejado para as futuras raízes ( vulgarmente chamado de ” forca”). O processo pode ser acelerado com a ajuda de pó enraizador.

40 Responses to “Estaquia e alporquia, multiplicando…”

  1. 1
    Maria Costa:

    simplesmente fantastico aprendi mais hoje neste site do que em meses que ando pesquizando sobre propagação por estacas e alporquia obrigada Maria Costa

  2. 2
    Fabiano Costa:

    Este é um bom artigo Maria e agradeço seu comentário, mesmo não tendo sido eu o autor…valeu!

  3. 3
    Queila:

    Por favor me ajude a identificar o esfagno, como ele é e onde eu posso encontrar, e verdade que ele vem da beira do rio e proibido a retirada, obrigada e aguardo retorno.

  4. 4
    Fabiano Costa:

    Queila, o esfagno pode ser comprado em floriculturas, é um tipo de musgo, coisa muito simples, usa-se por floristas para enfeitar vasos e cachepôs como acabamento.
    Grande abraço.

  5. 5
    Queila:

    Estou novamente em duvida como usar o hormonio em po, quero fazer estacas, mas como preprar e fazer esse procedimento, aguardo obrigada.

  6. 6
    Fabiano Costa:

    Queila, nunca usei hormônio em pó, só em gel, para estacas, e em solução líquida, com certeza este seu produto deve ter alguma instrução de uso ou caso não tenha, acho que vc deve perguntar no estabelecimento onde o comprou, pois você precisa saber qual a substância é seu princípio ativo e em qual proporção deve ser utilizado,ok?

    Abraço,
    Fabiano.

  7. 7
    Jose A Coviello:

    Gostei muito da materia.
    Gostaria de saber qual o nome do gel, preco e onde encontrar.

    Abraco.

    Jose Antonio

  8. 8
    Fabiano Costa:

    Olá José, o gel é fabricado por muitas marcas, geralmente você o encontra em agropecuárias especializadas, o preço e nome variam, você pode fazer uma busca no google com “gel enraizador” e tentar em alguma revenda próxima de você, já que também é vendido em diversos tamanhos.
    Abraço.

  9. 9
    Rosin:

    Por Favor.
    Gostaria de saber se, este sistema de po enraizante pode funcionar com estacas de noz peca.
    Obrigado e parabens pelas explicaçoes.

  10. 10
    Fabiano Costa:

    Olá Rosin, O uso de auxinas na base da estaca contribui para aumentar o enraizamento. Por exemplo, a aplicação de uma solução de ácido indolbutírico (AIB) na concentração de 2g L-1, por cinco segundo aumenta de forma significativa o percentual de estacas enraizadas.

    Veja uma matéria interessante de onde tirei estes dados:

    http://www.cpact.embrapa.br/publicacoes/download/livro/fruticultura_fundamentos_pratica/2.4.htm

    Abraço,
    Fabiano.

  11. 11
    Bruno Moreira:

    olá
    goataria de saber se vc poderia me formecer os artigos em que vc pesquisou para fazer esta revisão, pois sou acadêmico e estou fazendo um relatório parcial e meu orientador falou que é preciso encontrar os artigos relacionados para eu poder citar não devo citar de outro so do original, devido esta sua revisão estar excelente venho por meio deste email lhe pedi que me envie se vc tiver ou me forneça o contato de quem tem estes artigos.
    desde ja um muito obrigado

  12. 12
    Fabiano Costa:

    Olá Bruno, este é o link no qual usei para obter este artigo:
    http://www.fruticultura.iciag.ufu.br/reproducao7.htm

    É da Universidade Federal de Uberlândia, mas também não achei o autor para citar como pesquisador da revisão, mas como ele cita os autores dos estudos realizados diretamente no texto, fica então mais claro quem disse o que…

    Abraço,
    Fabiano.

  13. 13
    marcone:

    Estou pensando em fazer umas mudas de serissa que tenho. seria uma boa época o mês de abril? estacas. semi-lenhosas. é boa opção?

  14. 14
    Fabiano Costa:

    Caro amigo, caso você esteja em um lugar onde o outono seja quente, abril é entrada de outono no Brasil, então até pode se dar bem e suas estacas pegarem, mas o ideal para este tipo de reprodução é na primavera, que se inicia em setembro.
    Abraço,
    Fabiano.

  15. 15
    marcone:

    o caso é o seguinte: tenho umas mudas de serissas que estão com ramos muito compridos e brotações novas muito próximas ao solo. gostaria de diminuir o tamanho da planta e aproveitar para tentar novas mudas, e, fazer dessas novas brotações os galhos para uma nova árvore. seria na verdade uma poda drástica com o aproveitamento dos ramos podados para novas mudas.

  16. 16
    Fabiano Costa:

    Então faça, se o material que você está utilizando iria se perder de qualquer forma então vale a tentativa, quase sempre se salva alguma coisa e se você usar hormônio enraizador as chances são bem maiores, mas a resposta continua a mesma sendo que a pergunta não mudou.

    Att.
    Fabiano

  17. 17
    marcone:

    Ok! e pra fazer uma alporquia? são 2 ficus retusa que quero alporquiar! qual a melhor época?

  18. 18
    Fabiano Costa:

    Para um melhor resultado em processos de reprodução as estações quentes são as mais indicadas.
    Att.
    Fabiano.

  19. 19
    Antonio Roberto de Arruda:

    Caro Fabiano,
    Desejo parabenizá-lo pela maneira simples e eficiente com que ensina fazer mudas por alporquia.

  20. 20
    Antonio Roberto de Arruda:

    Agora vou tentar obter mudas de “Lixeira”, e “Congonha de Bugre” árvores comuns do cerrado. Não com intuito do bonsai porque elas possuem folhas grandes demais. Mas fazer mini árvores para vasos de argila. A Lixeira deve permitir belos desenhos porque no início do crescimento, embora madeira fraca ela é bastante maleável. Já tentei obtê-las por sementes e estacas mas sem sucesso. Vou então partir para a alporquia. Voce conhece alguns resultados nesse sentido?
    Um abraço.
    Antonio Roberto de Arruda
    Sítio Passarím – Rodovia MS 427 Km 09 Região das Sete Quedas
    Rio Verde – MS

  21. 21
    Fabiano Costa:

    Olá Antônio, infelizmente não tenho conhecimento sobre essas plantas no qual você me falou, quem sabe perguntando pro pessoal de sua região que já a tem, ou ainda em uma agropecuária ou floricultura daí, tem maior chance.
    Att.
    Fabiano.

  22. 22
    Fabiano Costa:

    Agradeço suas palavras amigo.
    Att.
    Fabiano.

  23. 23
    Jackson:

    Boa tarde!

    Gostaria de saber se eu posso usar essa prática de alporquia em qualquer Frutífera?

  24. 24
    Fabiano Costa:

    Olá Jackson, existem várias particularidades entre frutíferas, algumas se dão muito bem com esta intervenção, outras demoram muito mais, algumas nem vale a pena insistir, cada caso é um caso…
    Abraço.
    Fabiano.

  25. 25
    Jackson:

    Boa tarde!
    Podemos fazer a alporquia em pé de mangueira, abacateiro, bacurizeiro, cítricos e jambo? Se porventura
    vc não souber me informar, indique um site.

  26. 26
    Fabiano Costa:

    Oi Jacksom, de todos estes tenho apenas experiência em cítricos que você pode fazer sim, é muito fácil de dar certo, já as outras, algumas nem conheço e outras não são bem indicadas para bonsai até pelo tamanho de suas folhas e frutos…
    Abraço,
    Fabiano.

  27. 27
    alisson:

    boa noite!gostaria de saber se precisa dissolver o pó enrizador na água,ou se passamos ele seco e aplicamos o esfagno molhado envolvendo o pó enraizador.

  28. 28
    Fabiano Costa:

    Oi Alisson, geralmente o enraizador em pó nós apenas molhamos a base da estaca no qual pretendemos enraizar e passamos no pó, daí plantamos no substrato, para alporquia e outras funções tem que ver se seu hormônio pode ser diluído com o fabricante, varia muito.
    Abraço.

  29. 29
    gilberto:

    Fabiano , no caso a Jabuticabeira quanto tempo leva para enraizar após fazer a alporquia ? há muito comentario de que essa arvore
    frutifera é muito complicada .
    att,

  30. 30
    Fabiano Costa:

    Oi Gilberto, varia muito, mirtáceas são realmente complicadas, mas se tem muitos exemplos de sucesso, mas pelo menos de 9 a 12 meses…
    Abraço.

  31. 31
    Edcarlos:

    otimo texto sobre propagacao vegatativa, explicacao pormenorizada !!!!!

  32. 32
    Laís:

    Parabéns pela matéria, muito esclarecedora! Sou de Joinville (clima próximo ao de Florianópolis), estou iniciando os testes com estacas, obtive sucesso com várias árvores nativas como o ipê por exemplo, porém não consigo enraizar as cítricas de jeito algum! A impressão que tenho é de que erro no corte do ramo/galho, na quantidade de folhas deixadas (cortar ou não a ponta das folhas para enraizamento?) e no tempo na substância enraizadora (normalmente deixo 12hrs).
    Tentei diversas vezes com a famosa “mexerica”, aquela tangerina menorzinha e todas as folhas murcharam logo após colocadas na mistura de solo em vasinhos. Outra foi a tal da pitangueira, só consegui enraizar os raminhos finos e não obtive resultado com os galhos mais grossos que acabaram por atrair lavas após colocados no caso para a tentativa de enraizamento.
    Sei que são muitas duvidas, mas agradeço muito caso consiga esclarecer alguma! Abraço, Laís!

  33. 33
    Fabiano Costa:

    Olá Laís, parabéns pelos seus experimentos!
    Existem espécies que aceitam melhor a estaquia tipo bouganvileas, ficus, oliveiras e algumas outras, já as mirtáceas tipo a pitangueira, jaboticabeira, cerejeira, são extremamente difíceis de se obter sucesso, já as cítricas não tenho experiência, mas sei que a maioria é feita por alporquia, usando como cavalo o limão bravo…na sua maioria das vezes.
    Caso precise de maiores explicações pode me mandar por e-mail ou por aqui mesmo, grande abraço e boa sorte.
    Att.
    Fabiano.

  34. 34
    Dirceu Badini:

    Não consigo encontrar nada sobre a alporquia em ipês amarelos e outras variedades. É possível?
    dbadini

    Antecipo agradecimentos por resposta via e-mail.

  35. 35
    Fabiano Costa:

    Olá Dirceu, é possível sim.
    Abraço.

  36. 36
    Antonio Mauro:

    Ola amigo
    É possivel árvore obtida por alporquia ser tão grande como a árvore matriz?
    Grato desde ja.

  37. 37
    Fabiano Costa:

    Dependendo do tipo da árvore, é possível sim Antonio.
    Abraço.

  38. 38
    Carlos Leal:

    Já conhecia o método, mas acessei para atualizar as informações. Muito bom poder contar com a ajuda de vocês.
    Obrigado,
    Carlos Leal

  39. 39
    Ana E.Carvalho:

    Adorei este artigo que descobri através do Google. Estava procurando sobre o seguinte: Há alguns meses cortei umas estacas de ramos de bouganvilla e de alamanda amarela. Coloquei dentro de garrafas pet cheias de agua e coloquei ao sol. E não é que após alguns meses apareceram raízes na maior parte dessas estacas? E agora, coloco em vasinhos com substrato ou planto DIRETO NO SOLO? Sou leiga, como pode ver, mas adorei como a natureza me surpreendeu. E agora gostaria de ver as minhas plantas crescendo no meu jardim… Obrigada pela ajuda!

  40. 40
    Fabiano Costa:

    Oi Ana, quem bom, mas direto no sol não é legal não viu, deixe em meia sombra, mesmo depois de um transplante agora, as coloque numa terrinha bem drenante num pote, e qdo estiverem bem fortes, as coloque em outro vaso ou chão, vc escolhe!
    Abração.

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