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Festival Oriental em Jaraguá / SC

O tempo no bonsai.

 A importância do tempo na arte bonsai

Oliveira com aproximadamente 4 mil anos

 Há uma vasta gama de técnicas disponíveis para o entusiasta de bonsai que podem ajudar a manter o seu bonsai saudável, vigoroso e em forma durante todo o ano.
Essas técnicas vão desde a mais essenciais, como poda simples e transplante, ao avançado como aramagem, podas drásticas ou enxertia.
A chave para utilizar essas técnicas com sucesso é em parte devido aos conhecimentos necessários para realizá-los corretamente, mas também muito importante, “quando” eles são realizados.  

Todas as técnicas de bonsai devem ser realizadas no tempo correto para que se tenha sucesso. O não cumprimento da época correta pode matar ou ferir o bonsai e aumentará significativamente a possibilidade de que a técnica não tenha o resultado desejado.
As técnicas, tais como transplante e poda radicular são perfeitamente seguras, desde que o calendário esteja correto, poda de raízes na hora errada poderá matar, ou pelo menos, enfraquecer a sua árvore.  

   

Padrão cíclico de crescimento.   

Quase todas as plantas, e certamente aquelas que são usadas para bonsai tem um padrão cíclico de crescimento anual.
Em outras palavras, ao longo de um ano, a planta vai passar por uma série de estados e condições que não será repetido até o ano seguinte. Esses padrões de crescimento anual estão estreitamente moldado e definido pelo ciclo anual do sol, da estação e do clima. Esses padrões de crescimento anual também sutilmente mudam de acordo com o seu próprio clima e as condições meteorológicas experiente em sua área nas últimas semanas e meses (micro-clima). Climas tropicais (e cultivo indoor pode e irá interromper ou negar essas variações sazonais fazendo um calendário mais difícil e em alguns casos, menos importantes).   

  

Todas as técnicas de bonsai tem recomendado “épocas”, durante o ano que pode ser executada. Dependendo da natureza da técnica, o tempo talvez descrito como a qualquer momento ao longo de 3 ou 4 meses da estação de crescimento para o tão pouco quanto uma semana, que ocorre apenas uma vez por ano. A menos que tenha plena compreensão da técnica, as razões fisiológicas para o calendário e uma compreensão dos riscos de trabalho, é importante sempre cumprir rigorosamente o calendário recomendado. Nunca ser tentado a realizar inoportuno trabalho, na crença de que a árvore será “acabada” com mais rapidez, muitas vezes isso resulta em uma árvore frágil, cujo tempo de desenvolvimento é muito maior.
Deve acrescentar-se que é importante não estar vinculado às datas do calendário, quando decidir transplantar, podar, aramar ou realizar qualquer outra técnica de bonsai.
O tempo exato necessário depende do local, o clima nacional e do clima ou condições que suas árvores estão sujeitos, a saúde das árvores individuais, e as espécies de árvore real. Não é incomum ter árvores da mesma espécie e mesma posição em um jardim que requerem transplante talvez em um mês de intervalo. 
Por este motivo você deve aprender o seu tempo de trabalho de acordo com a condição de uma árvore individual. Por exemplo, o transplante de uma árvore de folha caduca deve ser realizada quando os brotos começam a alargar e não porque um cara diz fazê-lo em certa época. Muitos livros de bonsai vão lhe dar uma data definida para tentar aderir. Esta é, provavelmente, feito para simplificar as explicações de tempo, mas pode muito bem causar também problemas com a saúde do seu bonsai.
Em vez de aprender uma data do calendário, é muito importante aprender o sinal de que a árvore vai lhe dar. Tente encontrar fontes que explicam os sinais de suas árvores para procurar.
  

Tempo de recuperação 

A segunda forma de calendário que deve ser considerado é o tempo de recuperação. Esta é a quantidade de tempo que uma árvore necessita para recuperar-se do trabalho realizado sobre ela.
Quando uma árvore é trabalhada há um período de tempo em que ele está em um estado debilitado e / ou que os recursos são amarrados em resposta ao trabalho. Durante este tempo, o trabalho suplementar pode reduzir a já enfraquecida árvore para um estado onde ele é incapaz de recuperar e ou cresce muito lentamente ou até mesmo morrer.   


Um exemplo pode ser desfolhas (remoção de todas as folhas em pleno verão) e poda da raiz. Qualquer destas técnicas podem ser realizadas com grande sucesso em árvores saudáveis e vigorosas. No entanto, desfolhando uma árvore em pleno verão que ainda não se recuperou totalmente do que é a poda da raiz da primavera, pode ter um efeito devastador em um bonsai.

Não permitir tempo suficiente de recuperação entre os trabalhos é um erro comum de fazer, especialmente para iniciantes. Julgar o tempo necessário para recuperar depende de muitos fatores, tais como o vigor das espécies arbóreas utilizadas, a saúde individual da árvore no tempo de trabalho e da natureza do real trabalho que é realizado.
De uma forma geral, quanto mais invasivo for o trabalho , maior o período de tempo é necessário para a recuperação. A recuperação pode ser contada em dias para o corte de uma árvore vigorosa (como um olmo chinês), em meses para poda de raízes de uma espécie mais fraca ou até mesmo em anos para as árvores que foram recolhidos na natureza (yamadori).

 

Yamadori consciente 

Pavel slovák 

Autor: Pavel Slovák

Aprender o tempo que uma árvore necessita para se recuperar do trabalho é difícil e vem em grande parte com a experiência, mas é muito importante aprender estudando a reação da árvore para o trabalho e saber quando uma árvore está crescendo com vigor renovado.
Um bom indicador geral do vigor renovado e recuperação em muitas árvores é o aparecimento de crescimento dos ramos novos (extensão) e bem sucedido endurecimento ou lignificação dessas brotações. Note-se que novos brotos e folhas novas, por si só não são indicativos de que a árvore tenha ou venha a se recuperar do trabalho que foi realizado.

Paciência
Uma muda de árvore sadia é comprada durante o verão e você a estiliza imediatamente. Satisfeito com o seu esforço, você não consegue resistir à tentação de plantá-la em um vaso de bonsai, mesmo que seja verão e seu tempo é totalmente equivocado.
O resultado é uma árvore que está fraca demais para responder ao seu desejo e pode não crescer para o resto do Verão e início do outono, mas felizmente para você, ele não morre.

Na primavera seguinte a árvore começa a crescer, mas embora alguns ramos tenham morrido durante o inverno, sua estilização é destruída e a árvore ainda é fraca demais para colocar para fora qualquer brotações novas. Um ano depois, a sua falta de paciência resultou em um bonsai que pode ter mais uma temporada de descanso antes dela realmente recuperar-se todo o seu trabalho. 

Com um pouco de paciência, sua estilização recém feita poderia ter sido recuperada e transplantada apenas 6 meses mais tarde, na hora certa, na primavera seguinte. Esta árvore teria o tempo de recuperação após a estilização e o transplante, em seu cliclo de tempo correto. O bonsai resultante seria vigoroso, não sofrer perdas de galhos e estar pronto para cortar a aramagem adicional dentro de poucos meses.  o mais importante ainda é que seria muito mais desenvolvida do que a árvore que tinha o seu tempo errado de aplicação das técnicas.

A parte mais difícil da paciência, é aprender a usar práticas de tempo corretas para a sua vantagem. A tentação para plantar sua árvore recém-estilizada num primeiro vaso de bonsai pode ser difícil de resistir, no entanto, com a experiência você aprende que obedecendo às regras das épocas, o progresso de suas árvores  em desenvolvimento será sempre muito mais rápida.

Artigo traduzido da bonsai4me

Harry Harrington

 PS: Esta postagem é uma das mais importantes, senão a mais, que eu já tenha postado aqui em meu blog, a impaciência somada à incopetência me custou algumas plantas no passado, porém após achar que se sabe alguma coisa a mais, perde-se mais, caso ignoremos o tempo certo das plantas.

Temos sempre que ter em mente que uma planta é uma vida no qual tomamos para cuidar, temos que dar para receber, todo o carinho e zelo aliado ao conhecimento nos será retornado em beleza e saúde, esta relação no final das contas é uma simbiose no qual faz tudo isto valer a pena, o respeito pelo ser vivo que estamos acolhendo aos cuidados deve ser grandioso para no futuro nos orgulharmos em fazer parte deste mundo do bonsai-do.

Chamo a atenção para termos sempre o número de plantas correspondente ao que possamos cultivar com saúde, quando iniciante a coisa é diferente e queremos ter muitas plantas de muitas espécies, ignorando suas necessidades e sendo de certa forma “covarde”, pois as plantas não poderão se defender da falta de paciência, conhecimento e sensatez, sendo que muitos retiram plantas da natureza (yamadori), sendo em épocas em que as plantas provavelmente morrerão pois não conseguirão se recuperar, mas como está lá de graça…por favor!! Sejamos mais humanos, ou seria melhor dizer…sejamos mais plantas… ops.

A chuva e a rega do bonsai.

 

Como já conhecido, a rega errada é um dos fatores que mais levam o bonsaísta a matar seus bonsai.

Como regra geral, rega-se a planta sempre que se observa a superfície do substrato secando, nunca deixando secar completamente porém também não se deixa o substrato encharcado.

Veremos a seguir o efeito da chuva sobre a planta e o que isso afeta na rega de um bonsai.

 

Uma temporada de chuvas contínua, como acontece em minha região em meados de novembro, pode causar podridão radicular, deficiência e uma árvore insalubre, por isso atenção redobrada nesta época, mais ainda do que em épocas secas, pois podemos achar que tudo vai bem pelo fato de não precisar regar e o descaso pode matar o bonsai, dependendo da espécie tipo coníferas e áceres isso é realmente fatal.

Plantas doentes ou com ataques de pragas, transplantadas recentemente e com podas drásticas também são vítimas fáceis.

No substrato encharcado ocorre a falta de gases, principalmente o oxigênio, ocasionando assim o colapso da estrutura do mesmo e eventual perda da saúde do sistema radicular da árvore.

Geralmente de uma a duas semanas de chuva não farão estragos em sua planta, mas passando disso já é preocupante, principalmente se o substrato é muito orgânico, ocasionando maior compactação do mesmo e com isso a oxigenação fica comprometida, isto pode acontecer com substratos mais antigos também, que demonstre deficiência de drenagem causado pela compactação.

É bom lembrar que um bonsai com sistema radicular saudável suportará muito melhor estas intempéries, para isso um substrato bem drenante é fundamental.

O que fazer se a chuva não passa? Procure abrigo para seu bonsai dentro de varandas, beirados ou sob a copa de alguma planta maior, caso isto venha a solucionar.

Um grande engano é achar que a chuva “regou” o suficiente seu bonsai, muitas vezes a umidade adentra a parte superior do substrato, principalmente os mais compactados, tendo em vista isso, é muito importante a rega após a chuva, a não ser que você ache que a chuva foi realmente o suficiente para umidificar todo o substrato, sendo esta uma chuva mais pesada, principalmente no verão, onde esse caso acontece com maior frequência.

Elementos como caco cerâmico e  pedriscos são muito importantes na mistura de seu substrato para que seja garantida a drenagem e oxigenação necessária para um sistema radicular saudável, casca de pinus triturada, turfa bem granulada ou uma “terra vegetal”, tudo muito bem peneirado, são alguns elementos que podem fazer a vez do substrato orgânico, daí dependendo da espécie, seu nível de crescimento, micro-clima no qual será cultivado e vários outros fatores, nos darão a porcentagem ideal de cada elemento para uma composição que se pode achar ideal para cada bonsai.

Fontes de pesquisa:

Experiências pessoais

Relatos do prof. Rock Júnior    

Bonsai4me / Harry harrington

 

Expobonsai 2010

    A pedido de meu xará de Ribeirão Preto Fabiano Brino, venho aqui divulgar este evento que será de um nível muito bom e ainda gratuito, só quem organiza eventos tem idéia do esforço e do trabalho que o povo de lá está tendo em prol da arte, parabéns amigos e podem sempre contar comigo para somar no bonsai.

Um grande abraço e desejo todo o sucesso possível à vocês.

Taxodium distichum Chokkan

Essa é uma planta que eu comecei com o objetivo de fazer um chokkan, a espécie foi escolhida porque no momento foi a que achei mais interessante para tal.

Sua estrutura de galhos finos e brotos era farta, então decidi começá-la somente com os mesmos, vê-se que deixei bastante galhos com o intuito de retirar, ou não, algo no futuro, mas que seja algo farto para ter escolha e não precisar de técnicas afins para ter galhos em lugares necessários.

Depois da primeira intervenção ficou com 85cm de altura e 50cm de largura de base de copa, seu nebari fica com 16cm, afunilando o tronco em seu ápice para uns 6cm.
Um mês depois q recebi a planta, comecei o trabalho retirando galhos e limpando o tronco, depois de uma semana aramei, depois de 20 dias, retirei os arames, que já a estavam marcando, daí tracionei os galhos mais teimosos, até hoje.

Neste espaço de tempo perdi a conta de qtas desfolhas parciais já fiz, com intuito de compactação de folhagem dos galhos, sempre cortando as folhinhas para maior bifurcação, e tenho tido resultado satisfatório.

A parte superior da copa, os últimos 4/6 onde será totalmente fechado, e ainda n está, esconderá as cicatrizes das grandes filiais cortadas, se prestarem atenção ainda as verão.
Me perdoem por n ter fotos anteriores, mas vcs imaginam uma árvore destas em pré bonsai quando chega crua , não??? 

Vamos as fotos pela sequencia de trabalho:

Foto feita em fevereiro de 2008

 

Final de março de 2008

Final de março de 2008

 

Coloração outonal em junho de 2008

Coloração outonal em junho de 2008

 

Em julho de 2008, meio do inverno...brrr

Em julho de 2008, meio do inverno...brrrFinal de agosto de 2008.

 

Agosto de 2008

Agosto de 2008.

 

Primeiro envase em agosto de 2008 (entrada de primavera)

Primeiro envase em agosto de 2008 (entrada de primavera)

 

Em janeiro (pleno verão) de 2009.

Em janeiro (pleno verão) de 2009.

Agora em final de junho de 2009 ela já caducou bem antes do ano passado, creio que esteja mais adaptada ao clima de minha região, então com filiais mais estruturadas, dei uma selecionada nas mesmas, sendo que descartei algumas, redistribuí alguns galhos e também com atenção na conicidade das mesmas fiz algumas podas.
O trabalho principal foi a correção da conicidade apical pelo fato das quatro grandes bifurcações no qual ele tinha ao chegar em minhas mãos, como eu não gosto de disfarçar para deixar bonitinha, e não consigo conviver com isso, tive que dar um jeito, então minha única saída embora que relutante pois queria um ápice cheio, foi o jin.
Eu o fiz respeitando suas fibras, as puxei de uma a uma, leva mais tempo, mas é muito melhor em questão de resultado e naturalidade, além de adorar trabalhar a madeira, e também fiquei mais tempo em contato com ela, o que pra mim é mais gratificante do que fazer um trabalho rápido com a dremmel e acabar em minutos de forma abrupta, eu a usei sim, mas nos acabamentos.
Vamos ao resultado com fotos:
Detalhe do jin apical trabalhado com formão.

Detalhe do jin apical trabalhado com formão.Vista lateral esquerdaTraseira da planta.Lateral direita.

Vista superior

Vista superiorVista frontal

Vista lateral direita

Vista lateral direita

Traseira

Traseira

Lateral esquerda

Lateral esquerda

 

Vista frontal.

Vista frontal.

O shari na base é natural, não me atreveria fazê-lo, mas como aconteceu, tudo bem, o próximo passo será o que deveria ter sido o primeiro, o nebari, mas vivendo e aprendendo, isso tem jeito!

Calda sulfo-caucica ou lime-sulfur no bonsai.

Com a autorização de meu amigo Harry Harrington da bonsai4me, eu traduzi este texto no qual achei muito interessante e contém muitas dicas no qual pode nos passar despercebido, além de mostrar as várias funções da calda sulfo-caucica assim como quebrar alguns mitos.

O texto original está aqui, caso queiram tê-lo na íntegra, em inglês.

Por Harry Harrington

Ao longo dos anos tenho visto, ouvido e lido muitos mitos sobre a calda, mas porque há tanta invenção, desinformação e quase mística em torno deste produto químico eu não sei, mas parece-me que se origina a partir de  literatura antiga de bonsai.

 

O que é a calda sulfo-caucica?

É um líquido com mau cheiro que bonsaístas passam na madeira morta a fim de produzir uma distintiva cor branca. Não se pintará uma madeira colorida, mas simquando a mistura seca, sendo alvejantes, mancha a madeira com um branco pálido.

Foi originalmente desenvolvida para pulverização de inverno (fungicida e inseticida) e utilizado para as árvores durante o inverno para matar qualquer resíduo de bolores, fungos e insetos ou ovos. Em primeiro lugar, foi desenvolvida durante meados do século 19 para controlar mildio sobre videiras em vinhas francesas . Desde o início dos anos 1900 para o 1940, foi utilizado e amplamente produzidas numa base comercial, até que ela foi superada pelos mais novos e mais eficientes produtos químicos.

Como o Lime Sulphur funciona para manchar a madeira de uma árvore? A mistura produz uma certa quantidade de dióxido de enxofre (SO2), tal como seca (dependente da temperatura ambiente, a solução é mais quente pois seca, maior o volume de dióxido de enxofre, que é produzido). O dióxido de enxofre é um conservante conhecido ainda utilizados na vinificação e indústria de frutos secos onde é utilizada para a sua capacidade de matar micróbios e bactérias.

O dióxido de enxofre é também conhecido como um redutor, isto é, na presença de água, é capaz de descolorir / remover as cores de materiais  permeáveis que entrem em contacto com (o dióxido de enxofre é ainda utilizado em algumas indústrias de papel alvejante e tecidos delicados, tais como roupas).

O efeito do branqueamento do dióxido de enxofre não é permanente, no entanto, após a exposição ao oxigênio (no ar), o material é branqueado e lentamente oxidados , e a cor ou pigmento de origem naturais do material marcado retorna.

Esta é uma das razões pelas quais deve ser aplicado várias vezes à madeira morta do bonsai, garantindo que ele fica branco.

Pelo teor de enxofre não é um líquido agradável . Sem dúvida que deve ser tratado com respeito. Use luvas quando aplicá-lo. Armazená-lo fora do alcance das crianças. Use uma máscara facial caso você use-o como um spray. Se você engolir qualquer solução ou receber em qualquer dos seus olhos, procure assistência médica.

 

Onde obter Lime Sulphur?

Atualmente, o único lugar que você vai encontrar calda sulfo-caicica líquida é em viveiros de Bonsai ou online através de empresas de bonsai. É um produto relativamente barato e uma pequena garrafa durará muito tempo.

Apenas uma vez vi um bom guia para produzir o seu próprio lime sulfur que implica ebulição de hidróxido de cálcio e enxofre e que lhe permita ferver por algumas horas. Dado o custo de obtenção dos ingredientes, o perigo deste processo, bem como o facto de que é extremamente fedorento, não vale a pena tentar produzir seu próprio!

 

Materiais necessários para a aplicação de calda sulfo-caucica para madeira morta de bonsai.

Juntamente com o calcário, o enxofre, vai exigir uma placa separada. Despeje uma pequena quantidade de calcário o teor de enxofre na solução do prato ou recipiente. Não aplique o cal e o enxofre diretamente da garrafa, uma vez que irá estragar a mistura.

Você precisa usar uma superfície coberta ou velha para trabalhar, pois podem haver salpicamento das pincelada ao aplicá-la no local.Vai manchar quase tudo o que entra em contacto com ela.

Você tem de trabalhar fora. Lime enxofre é muito picante até que secam, não aplicá-lo em ambientes fechados!

Utilize um pincel para aplicar na madeira morta. O tamanho exato da escova que você necessita dependerá do tamanho e complexidade da área à aplicar, mas geralmente um velho pincel de 1cm ou menos é necessário. Vale a pena encontrar um velho pincel, se possível, eu acho que as cerdas das escovas baratas tendem a se desintegrar rapidamente com os efeitos combinados da superfície áspera morta e ao efeito da calagem enxofre sobre a cola utilizada para anexar as cerdas. Ou então você pode gastar muito tempo cuidadosamente removendo cerdas da madeira morta!

A escova pode ser limpa com água e sabão se feito imediatamente após o uso. No entanto, se deixados secar, tornará o pincel inutilizável.

Finalmente, alguns panos ou papel absorvente (rolo de cozinha / tecido) em mãos para absorver vazamentos e excesso.

 

Um Guia Prático de Aplicação de calda sulfo-caucica para a Bonsai.

Este é um zimbro, o tronco que recentemente teve a sua casca removida para criar um Shari. A veia de crescimento no lado direito do tronco e sua extremidade foi selado com selante com o fim de ajudar a borda da madeira à cicatrizar. Não é necessário proteger a madeira viva, casca ou de câmbio (mesmo quando verde) contra o calcário enxofre. A árvore não será danificada mesmo se a parte verde do câmbio estiver exposta a camada de cal enxofre.

Não importa se a madeira morta é fresca e acaba de ser criado (a partir de madeira viva) ou que tenha sido deixado secar por um tempo. Você verá que o novo morto viçoso não levará muito bem a tintura como é com os mais velhos, mas mais uma vez, não é necessário esperar após criar madeira morta.

Se é pintado sobre madeira seca ele tende a fugir da madeira, em vez de ser absorvido. É igualmente incapaz de penetrar tão profundamente quando a madeira está seca. Para ter qualquer efeito sobre a preservação da madeira (embora ligeiro) que deve ser absorvida tão profundamente quanto possível, assegurando que a madeira esteja úmida, é capaz de penetrar muito melhor.

Em segundo lugar, tal como mencionado anteriormente, a umidade (água) é necessária para o dióxido de enxofre ter um efeito de branqueamento ou coloração. Madeira seca leva muito mais tempo para alvejar e em alguns casos, podem reter parte do original amarelo / vermelho cor da mistura.

Se a madeira já não é de estar no exterior com tempo chuvoso, pulverize cuidadosamente com água.

Qualquer excesso de água na superfície da madeira irá causar lixiviação para a parte da árvore que você não necessita que seja branqueada. Utilize um pano absorvente para remover o excesso de água a partir da própria madeira morta e tente secar a casca, tanto quanto possível.
Aplicar, começando pelo ponto mais alto. É preferível aplicar várias camadas delgadas ao longo de algumas horas de tentar que aplicar um espesso revestimento de uma só vez. Esteja preparado para limpar qualquer excesso que recolhe na base do que você está pintando.

É necessário limpar o excesso antes de aprontar o solo ou em áreas circundantes de madeira viva e casca. Isto porque o lime sulfur também lixívia do solo e da casca. Não é porque irá “matar” a árvore ou danificar as raízes.

Obviamente, uma grande quantidade de calcário de enxofre no solo não é uma coisa boa para a saúde da árvore, mas esta deve ser mantida em perspectiva. Uma pequena quantidade não vai envenenar a árvore. Em muitas ocasiões tenho feito em raízes mortas (como mostrado nestas imagens) e caiu no solo, porém foi executado com absolutamente nenhum prejuízo para a saúde da árvore. Se você está preocupado que muito cal e enxofre tenha entrado no solo, basta limpar para fora com a água a vontade.

Se a casca da árvore receber a calda, como pode ser visto na base da árvore na imagem acima, basta utilizar alguns panos molhados para limpar o excesso.

Faça isso com a maior brevidade possível, para que não tenha de embranquecimento da casca. Se a casca ainda aparece branca quando seca, basta utilizar uma escova velha ou similares para limpar a casca.
A mistura vai empalidecer a madeira seca ao longo das próximas horas ou dias, dependendo do grau de umidade da madeira é (mais umido, mais rápido o embranquecimento tem efeito) e à temperatura ambiente ( mais quente o tempo, mais rápido irá secar). Evite colocar a árvore pintada exposta à chuvas pois este fará com que a calda escoe antes de ter tido o efeito necessário de branqueamento.

O recém aplicado da árvore acima, é mostrado apenas horas após a aplicação. Como pode ser visto, a madeira não é tão branca quanto deve ser o efeito alcançado e isso é normal para uma primeira aplicação. Outras aplicações irão garantir que a madeira morta se destaque bem em relação à madeira viva em relação a cor.

 
Coloração da calda sulfo-caucica
Pela sua natureza, a caldacom cal produz um acabamento branco para madeira morta. Apesar que uma forte cor branca é adequado para espécies de coníferas, como pinheiros e zimbros, em outras espécies de árvores como o Buxus, Carvalhos, e a maioria das árvores deciduas e folhosas, a calda é frequentemente utilizada para produzir uma cor mais adequada com variedade de tons e cores.

Além disso, a calda produz uma cor branca, sem tom ou variedade, não pode fazer madeira morta muito plana e bidimensional. Ser capaz de escurecer a calda, permite que o artista produza uma aparência de profundidade e uma terceira dimensão à pintura na madeira.

O tronco oco desta Thuia foi pintado mas em vez de permitir o acabamento uniforme branco, a calda foi cuidadosamente tingida com tinta preta para produzir uma variedade de cores cinzas e negras para aumentar a sensação de profundidade no acabamento.

As arestas exteriores deste tronco foram pintadas com calda pura e, em seguida, como já pintou mais profundo e mais profundo na cavidade, acrescentei algumas gotas de tinta preta para a mistura de calda para produzir uma cor mais escura constantemente.

Lime sulfur pode ser colorido com uma variedade de ingredientes e algumas experimentações são necessárias. Todas as tintas à base de água irão funcionar bem, mas evite usar qualquer coisa à base de óleo, uma vez que não vai misturar com a calda. Geralmente apenas uma pequena quantidade de tinta preta é necessária para o acabamento se tornar uma cor cinzenta. Para uma mais natural cor “madeira”, tente ocres ou tintas queimadas.

Para uma abordagem mais “natural” de corantes, você pode usar diluído (em água fervente) chá de folhas, café instantâneo granulado ou moer para produzir tons ocre. Para tons cinzentos pode utilizar madeira ou cinzas de cigarro, misturado na calda ou aplicado à madeira após estar seco.

Devido à natureza da calda, não é possível aconselhar as misturas exatas ou receitas, a experimentação é necessária. Sempre permitir que a pintura seque antes de julgar os resultados de seu trabalho!

Usando a calda como pulverização de inverno para Bonsai

Lime Sulphur ainda tem as suas utilizações como uma lavagem de inverno bonsai. Misturar Lime Sulphur a água a uma taxa de aproximadamente 1:25 – 1:50 e pulverizar sobre o tronco e galhos para matar qualquer insetos, bactérias ou fungos. Enxaguar fora da superfície do solo e pote com água depois de remover qualquer coloração temporária que o diluído pode causar (Esta é meramente por razões estéticas). Eu uso uma solução de inverno apenas nas minhas árvores deciduas porém eu entendo que alguns entusiastas também usam em suas coníferas; as agulhas podem, no entanto, ter uma cor branca temporária que desaparece na primavera.

A menor taxa de diluição (aproximadamente 1:25) com a água é útil para a limpeza e brilho do tronco das árvores com casca lisa. Basta pulverizar a solução na casca, deixar secar e torna-se uma cor leve e brilhante. Mais uma vez, por razões estéticas lavar qualquer excesso da solução que cair na superfície do solo ou do vaso.

 
Lime sulfur como um repelente de pássaros
Tal como acontece com muitos adeptos, tenho grandes problemas com as aves (em especial melros), no final do inverno e início da primavera com a superfície do solo das minhas árvores como poeira de banho e fazem uma bagunça no forrageamento de alimentos.

Por acaso eu descobri que pulverizar árvores com uma lavagem diluído no inverno é uma excelente forma de diminuir a atração do meu bonsai às aves. As aves têm um bom senso de olfato também! Tenho encontrado uma vez que, se a calda é pulverizada, logo que as primeiras aves vêm para alimentar em torno do seu bonsai e no inverno, eles imediatamente aprendem que o seu bonsai não tem cheiro apetitoso e não irão retornar para a alimentação ou tomar uma banho para o restante do inverno e primavera.

E por favor, antes de condenar esse conselho, o cheiro do enxofre dissuade qualquer alimentação muito antes que um pássaro queira ingerí-lo.

Finalmente. A calda sulfocaucica realmente preserve madeira morta?

Sim e Não.

Lime Sulphur mata todos (ou pelo menos a maioria) as bactérias que causam a degradação e a deterioração da madeira que nós conhecemos como “podridão”. Também produz temporariamente ambiente hostil contra as bactérias. No entanto, os efeitos anti-bacterianos e anti-fúngicos da calagem enxofre é relativamente curta em comparação ao seu efeito de branqueamento. A maioria dos entusiastas terão visto a madeira começa a ficar verde e o apoio de bactérias dentro de um período relativamente curto de tempo.

Este curto prazo exige que a proteção seja aplicada anual ou até mesmo a cada 6 meses para garantir que todos os restos de madeira (se tal for necessário) e para manter a maioria das bactérias e fungos fora.

Não só é o efeito anti-bacteriano relativamente curto, mas ela só tem um efeito sobre as partes da madeira morta que é capaz de acessar. Como já foi discutido, só é capaz de permear a madeira de uma árvore a uma certa profundidade (dependendo da densidade e condição). Embora seja capaz de matar bactérias na superfície da madeira e, possivelmente, a uma profundidade de alguns milímetros (sobre uma madeira macia), algumas camadas de madeira permanecerão desprotegidas.

Se as bactérias são capazes de acessar as camadas de madeira que não podem (por exemplo, embora fissuras ou rupturas na integridade da madeira morta ou através expostos apenas para o solo), a podridão continuará ininterruptamente.

Em resumo, calda sulfo-caucica não pode e não deve ser considerado como um conservante que irá proteger de podridão ou quebra. Embora seja capaz de preservar áreas rasas ou finas de madeira morta por um período de tempo, não é um método fiável de podridão e prevenção.

Para a madeira dura e densa de Juniperos e Pinus, é provavelmente suficiente, uma vez que estas madeiras são naturalmente resistentes à podridão. Em espécies com madeira macia como o ligustro, Bougainvillea e mais espécies caducifólias, podem ser utilizados alguns outros produtos auxiliares para preservação da madeira.

Duranta repens

Este é o resultado de um yamadori de quintal, estava no jardim de minha avó e estava atrapalhando o paisagismo, pelo menos eu achei, então tive que retirá-la para ela.

Era bem maior, mas com a redução antes de retirá-la do chão ficou assim em 13 de julho de 2008:

Já com alguma redução e reenvasada num escorredor:

No dia 16/09/08 já foi para o sol pleno, até então estava em meia sombra:

Início de trabalho de estruturação em 26 de setembro de 2008:

Frente pretendida:

No dia seguinte já trabalhei os jin pela segunda vez:

Em 30 de janeiro de 2009:

Mais uma desfolha parcial e melhor estruturação:

E agora eu a envasei num vaso de Jorge Ribas, com um esmalte discreto na borda, além de dar uma escurecida na madeira morta:

Vista da traseira

Vista da traseira

Vista frontal

Vista frontal

Proporções básicas para a formação do bonsai

Esta é uma contribuição do professor Rock Júnior, onde nos indica as diretrizes mais básicas e utilizadas para toda a vida, até para quando sabermos se podemos não utilizá-las de acordo com o trabalho proposto, mas isto já é uma outra história.

 

Esse é um tópico muito importante na didática do bonsai, pois facilita consideravelmente o aprendizado e formação de um conceito artístico. Principalmente pra nós ocidentais que temos uma maneira bem diferente de percepção da natureza e do mundo à nossa volta. 
Essas proporções foram utilizadas inicialmente pela escola japonesa e foram inspiradas pela natureza e baseadas nas árvores que  impressionavam, tanto pela beleza quanto pela idade ou forma.
Assim sendo qual é o nosso objetivo? Atingir as proporções e características das árvores realmente velhas e impressionantes da natureza:

 

• A altura ideal do bonsai é aproximadamente 5 a 6 vezes  o diâmetro do tronco em sua base (Isso antigamente, hoje em dia há uma tendência para uma proporção mais compacta de 2 a 3 vezes o diâmetro do tronco).

• O ideal é que o tronco possua uma forma cônica marcante, ou seja, grosso na base, afinando gradativamente até o ápice. E caso tenha movimento, é interessante que ocorra no seu primeiro terço inferior (no tachiagari)

• É mais interessante que o primeiro galho esteja situado próximo no final do primeiro terço inferior do bonsai ( tachiagari).

• Os galhos devem estar dispostos de forma alternada, em alturas diferentes, diminuindo de comprimento e diâmetro da base para o ápice, seguindo o seguinte padrão: se o primeiro galho originar-se do lado direito, o segundo (galho de fundo)deve ser posterior, o terceiro (denominado segundo galho) do lado esquerdo, o quarto (galho frontal) ligeiramente à frente e assim sucessivamente. A distância entre os galhos deve diminuir à medida que se aproximam do ápice.

• O ideal é que nenhum galho deva originar-se diretamente na parte da frente do tronco, cruza-lo ou cruzar com outro galho .

• Nos troncos sinuosos é importante os galhos estejam posicionados na  na parte externa das curvas.

• As raízes devem originar-se simetricamente em toda circunferência do tronco, tomando uma orientação radial (nebari).

• O ideal é que o vaso final possua comprimento correspondente a aproximadamente dois terços da altura (medida da borda superior do vaso ao ápice) ou largura do bonsai, o que for maior.

• A altura do vaso deve ser menor ou igual ao diâmetro do tronco em sua base.
Basicamente são estas as diretrizes, ocorrendo algumas variações em determinados estilos (por exemplo, as regras para o tamanho e altura do vaso no estilo cascatas são diferentes, e a maioria das proporções listadas não se aplica aos bunjin).

Completando este post gostaria de acrescentar uma citação do bonsaísta Antônio Castro em um outro post no blog do Vinícius, que mostra a minha opinião acerca do assunto regras, mas quem tiver tempo e interesse e quiser dar uma olhada nesta postagem citada por mim, vale a pena:

 

“As “regras”/directrizes são importantes para nos nortearem e apenas isso…devem ser conhecidas para que melhor percebamos (em determinadas situações) quais as suas vantagens para valorizar um qualquer exemplar….contudo nunca devem ser consideradas como “um absoluto” da nossa criatividade, devem ser aplicadas se possível de forma expontânea e com “peso e medida”…são sem dúvida alguma importantes, seja qual for o quadrante escolhido, não se limita à vertente Nipônica..”